Geração de empregos com carteira foi 56% menor sobre 2011.
É o pior fevereiro desde 2009, segundo dados do Ministério do Trabalho.
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta sexta-feira (16) pelo Ministério do Trabalho mostram que foram criados 150.600 empregos com carteira assinada em fevereiro deste ano, o que representa queda 56,6% frente ao mesmo mês do ano passado, quando foram abertas 347.070 vagas formais.
Este é o pior fevereiro desde 2009, quando foram criadas 47.807 vagas formais, segundo os dados do Caged. A série de pesquisa do Caged começou em 1992. Em 2010, foram criadas 258.475 empregos com carteira.
Esse é o segundo mês consecutivo de queda no crescimento. Em janeiro, foram criados 118.895 empregos com carteira assinada, uma queda de 21,82% frente ao mesmo mês do ano passado, quando foram abertas 152.091 de vagas formais.
No acumulado do ano, o crescimento do emprego ficou em 0,78%, representando um incremento de 293.987 postos de trabalho. O montante de empregos gerados nos últimos 12 meses foi de 1.724.817 postos, alta de 4,73% no contingente de assalariados com carteira assinada do país.
"Esse resultado dá continuidade à trajetória de expansão do emprego, embora assinale redução no ritmo de crescimento quando comparado com os saldos dos mesmos meses dos dois anos anteriores", afirma o relatório.
Segundo o Ministério do Trabalho, o setor de serviços gerou a maior parte dos novos postos, com a abertura de 93.170 do total de 150.600 vagas. Outro destaque foi a indústria da transformação, que criou quase 20 mil vagas, a terceira maior geração de empregos em fevereiro dentre os oito setores de atividade econômica.
"Estamos mantendo um ritmo de expansão gradual, mas o importante é que, a cada mês, aumentamos a inserção de trabalhadores no mercado de trabalho”, afirmou, em nota, o ministro interino do Trabalho e Emprego, Paulo Roberto Pinto.
Dos 150.600 postos de trabalho abertos no mês de fevereiro, 81.801 foram preenchidos por homens e 68.799 por mulheres.
Setor de serviços
O crescimento em serviços foi impulsionado pelo ensino, que com o início do período escolar, criou 41.062 ocupações, número recorde para o mês.
Os serviços de comércio e administração de imóveis geraram 19.845 postos, enquanto alojamento e alimentação criaram 16.741 postos. Por sua vez, os serviços médicos e odontológicos foram responsáveis pela criação de 8.071 postos.
Os transportes e comunicações disponibilizaram 6.787 postos. Instituições financeiras colocaram à disposição do trabalhador brasileiro 664 postos.
Construção Civil e indústria
O setor de consrução civil criou 27.811 empregos com carteira e registrou crescimento de 0,95% em relação a janeiro. A administração pública respondeu pela criação de 14.694 postos.
A indústria de transformação foi responsável pela criação de 19.609 postos de trabalho e cresceu 0,24% no mesmo período e obteve a terceira maior geração de empregos para o mês, dentre os oito setores de atividade econômica. O desempenho positivo do setor é atribuído à elevação do emprego em onze dos doze segmentos: calçados (5.562 postos), borracha, fumo e couros (4.933 postos), química (2.601), têxtil (2.256 postos), metalúrgica (2.132 postos).
O único ramo industrial que apresentou declínio no nível do emprego formal foi a Indústria de Papel e Papelão, com perda de 362 postos.
Comércio e agricultura
Os setores do comércio e da agricultura apresentaram resultados negativos em relação à janeiro. O primeiro perdeu 6.645 postos, enquanto o segundo perdeu 425 postos.
Segundo o ministério, a queda na agricultura foi proveniente da interação entre movimentos negativos e positivos em seus ramos de atividade: Enquanto o cultivo de laranja perdeu 9.290 postos de trabalho e as atividades de apoio à agricultura 1.698, o cultivo de cana de açúcar ganhou mais 8.558 o cultivo de soja ganhou mais 2.703 postos de trabalho com carteira assinada.
Emprego por regiões do país
A região Sudeste registrou o maior crescimento, com abertura de 93.266 novos postos; na Sul foram 39.522 vagas; na Centro-Oeste 23.457 e na Norte, 3.965. A exceção foi a região Nordeste, que por motivos sazonais, ligados às atividades sucroalcooleiros, apresentou queda de 9.610 postos.
O estado que gerou mais empregos foi São Paulo, com 55.754 vagas, seguido por Minas Gerais, com 21.031.
sexta-feira, 16 de março de 2012
O Plano Brasil Maior
Com o Plano Brasil Maior, o Governo Federal estabelece a sua política
industrial, tecnológica, de serviços e de comércio exterior para o
período de 2011 a 2014.
Focando no estímulo à inovação e à produção nacional para alavancar
a competitividade da indústria nos mercados interno e externo, o país se
organiza para dar passos mais ousados em direção ao desenvolvimento
econômico e social.
Ao mobilizar as forças produtivas para inovar, competir e crescer, o Plano
busca aproveitar competências presentes nas empresas, na academia
e na sociedade, construindo um país mais próspero e inclusivo.
O Plano Brasil Maior integra instrumentos de vários ministérios e
órgãos do Governo Federal cujas iniciativas e programas se somam
num esforço integrado e abrangente de geração de emprego e renda
em benefício do povo brasileiro.
Dimensões DO Plano
O Plano Brasil Maior organiza-se em ações transversais e setoriais.
As transversais são voltadas para o aumento da eficiência produtiva
da economia como um todo. As ações setoriais, definidas a partir
de características, desafios e oportunidades dos principais setores
produtivos, estão organizadas em cinco blocos que ordenam a
formulação e implementação de programas e projetos. A figura a
seguir sintetiza esse modelo.
Dimensão Estruturante:
diretrizes setoriais
Fortalecimento de Cadeias
Produtivas
Novas Competências
Tecnológicas e de Negócios
Cadeias de Suprimento
em Energias
Diversificação das Exportações
e Internacionalização
Competências na Economia
do Conhecimento Natural
Dimensão Sistêmica:
temas transversais
Comércio Exterior
Investimento
Bem-estar do Consumidor
Inovação
Formação e Qualificação
Profissional
Produção Sustentável
Competitividade de
Pequenos Negócios
Ações Especiais em
Desenvolvimento Regional
Bem-estar do Consumidor
O Plano estabelece um conjunto inicial de medidas, que serão
complementadas ao longo do período 2011-2014 a partir do diálogo
com o setor produtivo. Destacam-se:
• desoneração dos investimentos e das exportações;
• ampliação e simplifi cação do fi nanciamento ao investimento e às
exportações;
• aumento de recursos para inovação;
• aperfeiçoamento do marco regulatório da inovação;
• estímulos ao crescimento de pequenos e micronegócios;
• fortalecimento da defesa comercial;
• criação de regimes especiais para agregação de valor e de
tecnologia nas cadeias produtivas ; e
• regulamentação da lei de compras governamentais para estimular
a produção e a inovação no país.
Oportunidades e desafi os
O Brasil reúne de forma única, em escala e diversidade, vantagens que
hoje lhe permitem consolidar e acelerar o desenvolvimento em curso.
as ameaças externas são conhecidas e exigem atenção, assim como os
desafi os a serem vencidos. Porém, a combinação inédita de oportunidades
históricas e alicerces sólidos oferece as condições para que o país ingresse
em um novo patamar de desenvolvimento econômico e social.
Para maiores informações sobre o Plano Brasil Maior e as novedades setoriais, entre na página http://www.brasilmaior.mdic.gov.br/wp-content/uploads/cartilha_brasilmaior.pdf
O Brasil está investindo no seu cresciemento e no seu desenvolvimento, este plano ajudará ao país se tornar umas das maiores potências da economia mundial.
Prá frente Brasil!
industrial, tecnológica, de serviços e de comércio exterior para o
período de 2011 a 2014.
Focando no estímulo à inovação e à produção nacional para alavancar
a competitividade da indústria nos mercados interno e externo, o país se
organiza para dar passos mais ousados em direção ao desenvolvimento
econômico e social.
Ao mobilizar as forças produtivas para inovar, competir e crescer, o Plano
busca aproveitar competências presentes nas empresas, na academia
e na sociedade, construindo um país mais próspero e inclusivo.
O Plano Brasil Maior integra instrumentos de vários ministérios e
órgãos do Governo Federal cujas iniciativas e programas se somam
num esforço integrado e abrangente de geração de emprego e renda
em benefício do povo brasileiro.
Dimensões DO Plano
O Plano Brasil Maior organiza-se em ações transversais e setoriais.
As transversais são voltadas para o aumento da eficiência produtiva
da economia como um todo. As ações setoriais, definidas a partir
de características, desafios e oportunidades dos principais setores
produtivos, estão organizadas em cinco blocos que ordenam a
formulação e implementação de programas e projetos. A figura a
seguir sintetiza esse modelo.
Dimensão Estruturante:
diretrizes setoriais
Fortalecimento de Cadeias
Produtivas
Novas Competências
Tecnológicas e de Negócios
Cadeias de Suprimento
em Energias
Diversificação das Exportações
e Internacionalização
Competências na Economia
do Conhecimento Natural
Dimensão Sistêmica:
temas transversais
Comércio Exterior
Investimento
Bem-estar do Consumidor
Inovação
Formação e Qualificação
Profissional
Produção Sustentável
Competitividade de
Pequenos Negócios
Ações Especiais em
Desenvolvimento Regional
Bem-estar do Consumidor
O Plano estabelece um conjunto inicial de medidas, que serão
complementadas ao longo do período 2011-2014 a partir do diálogo
com o setor produtivo. Destacam-se:
• desoneração dos investimentos e das exportações;
• ampliação e simplifi cação do fi nanciamento ao investimento e às
exportações;
• aumento de recursos para inovação;
• aperfeiçoamento do marco regulatório da inovação;
• estímulos ao crescimento de pequenos e micronegócios;
• fortalecimento da defesa comercial;
• criação de regimes especiais para agregação de valor e de
tecnologia nas cadeias produtivas ; e
• regulamentação da lei de compras governamentais para estimular
a produção e a inovação no país.
Oportunidades e desafi os
O Brasil reúne de forma única, em escala e diversidade, vantagens que
hoje lhe permitem consolidar e acelerar o desenvolvimento em curso.
as ameaças externas são conhecidas e exigem atenção, assim como os
desafi os a serem vencidos. Porém, a combinação inédita de oportunidades
históricas e alicerces sólidos oferece as condições para que o país ingresse
em um novo patamar de desenvolvimento econômico e social.
Para maiores informações sobre o Plano Brasil Maior e as novedades setoriais, entre na página http://www.brasilmaior.mdic.gov.br/wp-content/uploads/cartilha_brasilmaior.pdf
O Brasil está investindo no seu cresciemento e no seu desenvolvimento, este plano ajudará ao país se tornar umas das maiores potências da economia mundial.
Prá frente Brasil!
domingo, 11 de março de 2012
O perigo de não vacinar as crianças.
É fato científico que as vacinas trazem muito mais benefícios do que os possíveis efeitos adversos. Mas um grupo de pessoas vem optando por não imunizar os filhos para doenças que deixaram de ser comuns, como o sarampo e a difteria.
Revista Veja
Antes de ser erradicada com o uso maciço de vacinas, no final dos anos 1970, a varíola matou 300 milhões de pessoas, contando apenas o século XX. O sarampo, uma doença altamente contagiosa, foi responsável por cerca de 2,6 milhões de mortes por ano, antes de 1980, época em que começaram as intensas campanhas de vacinação. Já os casos de poliomielite, doença que pode causar paralisia infantil, apresentaram uma queda de 99% desde 1988, quando, mais uma vez, a prevenção com vacina teve início. Criadas em 1796, pelo médico britânico Edward Jenner, as vacinas deram início a uma revolução na medicina preventiva – tornando possível evitar a ocorrência de doenças letais e contagiosas. Há quem, no entanto, na contramão de todas as evidências científicas, opte por não vacinar seus filhos. A lamentável ideia encontrou abrigo entre um grupo de pais, grande parte da classe média alta, que vem optando por não imunizar os filhos para doenças que deixaram de ser comuns, como o sarampo e a difteria. Alguns por acreditarem em teorias exóticas e fraudulentas, outros por medo de que a vacina prejudique a saúde da criança e outros ainda, por questões ideológicas, pensam resistir ao que seria uma imposição criada pela indústria farmacêutica. Por um motivo ou outro, a irresponsabilidade pode colocar em risco não só a saúde da criança, mas de todos à sua volta, alertam especialistas.
"O que estamos percebendo é que há um aumento, mesmo que pequeno, no número de pais que buscam médicos que orientam a não vacinar a criança", diz Eitan Berezin, presidente do Departamento Científico Infeccioso da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Apesar de representarem ainda uma pequena parcela da população brasileira, esses pais que optam por não imunizar os filhos para determinadas doenças se concentram nas classes mais altas da sociedade, aquelas que, pelo menos na teoria, tiveram e têm acesso a informação de boa qualidade. Entre os argumentos mais triviais para a recusa está o medo de que a vacina traga problemas sérios de saúde, como o autismo, e a sensação de que é desnecessário se prevenir contra doenças que têm ocorrência baixa.
"Os riscos de a criança desenvolver uma complicação séria em função da vacina são muito menores do que os de ela contrair a doença. Não há nem comparação. E isso não é algo que eu acho ou acredito, é um fato comprovado cientificamente", diz o pediatra americano Paul Offit, um dos maiores especialistas no assunto. Além de professor da Universidade da Filadélfia, é ex-membro do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, sigla em inglês) e autor dos livros Deadly Choices: How the Anti-Vaccine Movement Threatens Us All (Escolhas mortais: como o movimento anti-vacina ameaça a todos nós, sem edição em português) e Autism's False Prophets: Bad Science, Risky Medicine, and the Search for a Cure (Falsos profetas do autismo: ciência ruim, medicina de risco e a procura pela cura, também sem edição em português).
Abastados e desprotegidos — De acordo com um levantamento recente feito a pedido do Ministério da Saúde, e publicado no periódico médico Vaccine, 82,6% das crianças brasileiras tomaram todas as vacinas recomendadas até os 18 meses de idade. O estudo, que avaliou 17.295 crianças das 27 capitais, descobriu, no entanto, um dado inusitado: nas classes mais ricas das capitais mais ricas a vacinação era deficitária. Em São Paulo, por exemplo, 71% das crianças do estrato A (o mais rico) haviam recebido a imunização completa — enquanto no estrato E (o mais pobre), a cobertura era de 81%. "Uma das razões para essa discrepância é a ideia de que é exagero vacinar os filhos contra algumas doenças", diz José Cassio de Moraes, professor da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo, membro do Comitê Técnico Assessor de Imunização do Ministério da Saúde e coordenador da pesquisa.
As vacinas que costumeiramente são mais descartadas são a de sarampo, difteria, hepatite B e da gripe. "Desde a década de 1970 os casos dessas doenças são muito baixos. Esses pais nunca tiveram de lidar, de temer essas doenças, então deixam de vacinar acreditando que o filho não corre riscos", diz Edécio Cunha Neto, diretor do Laboratório de Investigação Médica de Imunologia Clínica e Alergia da USP. Mas, se para muitos a redução drástica nos casos dessas doenças é motivo para burlar o calendário básico de vacinação, para outros, ela pode significar sérias complicações de saúde.
Perguntas e respostas sobre vacinas
Vacinas causam autismo?
Não existe nenhuma evidência científica que comprove que qualquer vacina possa levar ao desenvolvimento do autismo. O alarde sobre o assunto teve início em 1998, quando o médico britânico Andrew Wakefield publicou um artigo no periódico The Lancet correlacionando a vacina tríplice viral com a doença. A tese foi desmascarada seis anos depois, pelo jornalista Brian Deer, como sendo uma fraude.
Imunidade coletiva — Há dentro dos programas de vacinação o que se costuma chamar de imunidade de rebanho. A ideia é que quando você vacina, no mínimo, 95% das crianças de uma comunidade, todas ficam protegidas. Nesses 5% restantes, explicam os especialistas, estariam aquelas que por algum motivo não podem tomar vacina. No grupo estão, segundo Renato Kfouri, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), crianças com câncer, aids, com insuficiência renal ou com outras doenças crônicas que comprometem o sistema imunológico. "Elas se protegem quando há a garantia de que as outras crianças não vão transmitir a doença para ela. Vacinar o filho é mais do que uma ação individual", diz.
Quando uma criança é vacinada, formas amenizadas ou mortas de vírus ou de bactérias que causam doenças são injetadas dentro do corpo. O sistema imunológico reconhece esses organismos e desenvolve anticorpos contra eles. Esses anticorpos ficam, então, armazenados dentro do batalhão de células de defesa do corpo, para combater a doença em caso de uma exposição futura. Se a criança não é vacinada, no entanto, ela obviamente se torna suscetível à doença — e pode se tornar um potencial agente de transmissão e até mesmo iniciar um surto.
Vacinas demais? — É esse mecanismo usado para criar os anticorpos que preocupa algumas pessoas. Há quem diga que os riscos de efeitos adversos não valham a pena, se a criança tem uma saúde plena. "Não sou contra vacinar, mas acredito que existe hoje um exagero. Há vacinas demais", afirma Liliane Azambuja, pediatra homeopata e criadora da comunidade virtual Tem Vacina D+. De acordo com a médica, as chamadas doenças da infância, como o sarampo, ajudam a fortalecer o sistema imunológico da criança saudável. "Cerca de 90% das crianças que chegam ao meu consultório têm algum tipo de alergia. Elas são mais atópicas do que as crianças de décadas atrás. Claro que há outros fatores envolvidos, mas a vacina tem um papel importante", diz.
Para a pediatra, seria ideal ainda que o calendário fosse repensado e as vacinas fossem dadas em períodos mais esparsos e tardios. A época de início da imunização mais adequada, seria, então, aos seis meses de idade, quando o sistema imunológico do bebê já está mais amadurecido. "Uma enorme quantidade de organismos inoculados é dado de uma vez a uma criança de meses. Acho isso muito agressivo, além de acreditar que possa ajudar a desenvolver doenças autoimunes", diz Liliane. É bom lembrar que o sarampo é uma doença altamente contagiosa e, embora na maioria dos casos não coloque em risco crianças saudáveis, pode ser fatal para pessoas com o sistema imunológico sem resistência.
Vizinhança de risco — Felizmente, o movimento antivacinação ainda engatinha no Brasil. Em países da Europa e nos Estados Unidos, no entanto, ele vem causando surtos que preocupam as autoridades de saúde. Grupos antivacinação sempre existiram, mas em 1998 ganharam o reforço que sempre esperaram. Um estudo publicado em um dos principais periódicos médicos do mundo, o britânico Lancet, de autoria do médico Andrew Wakefield, alegava que 12 crianças que eram normais até receberem a vacina tríplice viral se tornaram autistas depois de desenvolverem inflamações intestinais. O estrago provocado foi grande. Após a divulgação da pesquisa, muitos pais optaram por deixar de vacinar os filhos contra as doenças infantis. Como resultado, houve um aumento dos casos de sarampo na Europa e nos Estados Unidos, onde a ideia de que vacinas fazem mal também prosperou. Em 2008, tanto o País de Gales quanto a Inglaterra registraram epidemias de rubéola.
O estudo, porém, era uma fraude. O jornalista Brian Deer desmascarou Wakefield, no British Medical Journal, ao provar que cinco das 12 crianças já tinham problemas de desenvolvimento, fato encoberto pelo médico. Várias pesquisas e investigações (britânica, canadense e americana) foram feitas depois do controvertido estudo, que só levou em conta a pequena amostragem de 12 crianças, e não encontraram relação entre o aparecimento do autismo e a vacina tríplice.
Wakefield perdeu a licença médica, mas continua com certo prestígio nos Estados Unidos, onde vive e ainda defende a ideia de que vacinas podem causar autismo. Influenciada por Wakefield, uma celebridade de miolo mole chamada Jenny McCarthy, cujas grandes credenciais científicas incluem ser ex-namorada de Jim Carrey e ex-coelhinha da Playboy, atribui o autismo de seu filho às vacinas e vai frequentemente à TV convencer os pais a não vacinarem seus filhos. O resultado da nefasta dupla ainda pode ser sentido em dois continentes. De acordo com o Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças, em 2011 foram registrados 30.567 casos de sarampo em 29 países da Europa. Em 2009, foram 7.175. Nos Estados Unidos, o estado de Indiana registrou 14 casos de sarampo, em fevereiro, depois que duas pessoas contaminadas foram assistir aos jogos do Super Bowl. Dos contaminados, 13 não haviam sido imunizados.
No Brasil, surtos do gênero ainda são pequenos. No estado de São Paulo, foram registrados, em 2011, 26 casos de sarampo. Desses, 60% ocorreram em pessoas não vacinadas — sete em crianças menores de um ano, cinco em indivíduos não vacinados por opção e quatro casos sem vacina documentada. Já na capital paulista foram 13 casos, com 10 ocorrendo em função da falta de vacina. O surto teve início em uma creche no bairro do Butantã, em seis bebês menores de um ano (idade indicada para a primeira dose), passando para quatro crianças com idades entre cinco e 10 anos (que não haviam sido imunizadas). "Esses surtos costumam acontecer em bolsões pequenos, porque essas crianças não vacinadas frequentam as mesmas escolas. Mas há sempre o risco, porque o vírus continua em circulação", diz Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.
Dentro da lei — A garantia da vacinação está, no entanto, institucionalizada no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Consta no artigo quarto que é dever da família assegurar a efetivação dos direitos à saúde. Não há, no entanto, nenhuma fiscalização que obrigue os pais a vacinar corretamente os filhos. Mas, de acordo com Ricardo Cabezón, presidente da Comissão de Estudos do ECA da Ordem dos Advogados de São Paulo, cabe aos pais gerenciar esses direitos, e não dispor deles. "Se a criança vier a adoecer em função de uma falha na vacinação, isso pode levar à perda do poder familiar. Os pais podem responder por crime de abandono, omissão dolosa ou culposa", diz.
Para o advogado, há uma diferença entre a escolha pessoal entre diversos tratamentos (que podem ser guiados pelas crenças e filosofias dos pais) e a recusa dos mesmos. "Só se pode tomar uma decisão como essa quando há embasamento científico que o fundamente. Não vai vacinar porque tem medo de alguma complicação? Então, tenha todas as provas científicas emitidas por autoridades médicas", diz. Do contrário, garante Cabezón, os pais correm o risco até mesmo de perder a guarda da criança. "Há uma série de medidas que um juiz pode tomar para garantir o direito da criança à saúde."
Revista Veja
Antes de ser erradicada com o uso maciço de vacinas, no final dos anos 1970, a varíola matou 300 milhões de pessoas, contando apenas o século XX. O sarampo, uma doença altamente contagiosa, foi responsável por cerca de 2,6 milhões de mortes por ano, antes de 1980, época em que começaram as intensas campanhas de vacinação. Já os casos de poliomielite, doença que pode causar paralisia infantil, apresentaram uma queda de 99% desde 1988, quando, mais uma vez, a prevenção com vacina teve início. Criadas em 1796, pelo médico britânico Edward Jenner, as vacinas deram início a uma revolução na medicina preventiva – tornando possível evitar a ocorrência de doenças letais e contagiosas. Há quem, no entanto, na contramão de todas as evidências científicas, opte por não vacinar seus filhos. A lamentável ideia encontrou abrigo entre um grupo de pais, grande parte da classe média alta, que vem optando por não imunizar os filhos para doenças que deixaram de ser comuns, como o sarampo e a difteria. Alguns por acreditarem em teorias exóticas e fraudulentas, outros por medo de que a vacina prejudique a saúde da criança e outros ainda, por questões ideológicas, pensam resistir ao que seria uma imposição criada pela indústria farmacêutica. Por um motivo ou outro, a irresponsabilidade pode colocar em risco não só a saúde da criança, mas de todos à sua volta, alertam especialistas.
"O que estamos percebendo é que há um aumento, mesmo que pequeno, no número de pais que buscam médicos que orientam a não vacinar a criança", diz Eitan Berezin, presidente do Departamento Científico Infeccioso da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Apesar de representarem ainda uma pequena parcela da população brasileira, esses pais que optam por não imunizar os filhos para determinadas doenças se concentram nas classes mais altas da sociedade, aquelas que, pelo menos na teoria, tiveram e têm acesso a informação de boa qualidade. Entre os argumentos mais triviais para a recusa está o medo de que a vacina traga problemas sérios de saúde, como o autismo, e a sensação de que é desnecessário se prevenir contra doenças que têm ocorrência baixa.
"Os riscos de a criança desenvolver uma complicação séria em função da vacina são muito menores do que os de ela contrair a doença. Não há nem comparação. E isso não é algo que eu acho ou acredito, é um fato comprovado cientificamente", diz o pediatra americano Paul Offit, um dos maiores especialistas no assunto. Além de professor da Universidade da Filadélfia, é ex-membro do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, sigla em inglês) e autor dos livros Deadly Choices: How the Anti-Vaccine Movement Threatens Us All (Escolhas mortais: como o movimento anti-vacina ameaça a todos nós, sem edição em português) e Autism's False Prophets: Bad Science, Risky Medicine, and the Search for a Cure (Falsos profetas do autismo: ciência ruim, medicina de risco e a procura pela cura, também sem edição em português).
Abastados e desprotegidos — De acordo com um levantamento recente feito a pedido do Ministério da Saúde, e publicado no periódico médico Vaccine, 82,6% das crianças brasileiras tomaram todas as vacinas recomendadas até os 18 meses de idade. O estudo, que avaliou 17.295 crianças das 27 capitais, descobriu, no entanto, um dado inusitado: nas classes mais ricas das capitais mais ricas a vacinação era deficitária. Em São Paulo, por exemplo, 71% das crianças do estrato A (o mais rico) haviam recebido a imunização completa — enquanto no estrato E (o mais pobre), a cobertura era de 81%. "Uma das razões para essa discrepância é a ideia de que é exagero vacinar os filhos contra algumas doenças", diz José Cassio de Moraes, professor da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo, membro do Comitê Técnico Assessor de Imunização do Ministério da Saúde e coordenador da pesquisa.
As vacinas que costumeiramente são mais descartadas são a de sarampo, difteria, hepatite B e da gripe. "Desde a década de 1970 os casos dessas doenças são muito baixos. Esses pais nunca tiveram de lidar, de temer essas doenças, então deixam de vacinar acreditando que o filho não corre riscos", diz Edécio Cunha Neto, diretor do Laboratório de Investigação Médica de Imunologia Clínica e Alergia da USP. Mas, se para muitos a redução drástica nos casos dessas doenças é motivo para burlar o calendário básico de vacinação, para outros, ela pode significar sérias complicações de saúde.
Perguntas e respostas sobre vacinas
Vacinas causam autismo?
Não existe nenhuma evidência científica que comprove que qualquer vacina possa levar ao desenvolvimento do autismo. O alarde sobre o assunto teve início em 1998, quando o médico britânico Andrew Wakefield publicou um artigo no periódico The Lancet correlacionando a vacina tríplice viral com a doença. A tese foi desmascarada seis anos depois, pelo jornalista Brian Deer, como sendo uma fraude.
Imunidade coletiva — Há dentro dos programas de vacinação o que se costuma chamar de imunidade de rebanho. A ideia é que quando você vacina, no mínimo, 95% das crianças de uma comunidade, todas ficam protegidas. Nesses 5% restantes, explicam os especialistas, estariam aquelas que por algum motivo não podem tomar vacina. No grupo estão, segundo Renato Kfouri, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), crianças com câncer, aids, com insuficiência renal ou com outras doenças crônicas que comprometem o sistema imunológico. "Elas se protegem quando há a garantia de que as outras crianças não vão transmitir a doença para ela. Vacinar o filho é mais do que uma ação individual", diz.
Quando uma criança é vacinada, formas amenizadas ou mortas de vírus ou de bactérias que causam doenças são injetadas dentro do corpo. O sistema imunológico reconhece esses organismos e desenvolve anticorpos contra eles. Esses anticorpos ficam, então, armazenados dentro do batalhão de células de defesa do corpo, para combater a doença em caso de uma exposição futura. Se a criança não é vacinada, no entanto, ela obviamente se torna suscetível à doença — e pode se tornar um potencial agente de transmissão e até mesmo iniciar um surto.
Vacinas demais? — É esse mecanismo usado para criar os anticorpos que preocupa algumas pessoas. Há quem diga que os riscos de efeitos adversos não valham a pena, se a criança tem uma saúde plena. "Não sou contra vacinar, mas acredito que existe hoje um exagero. Há vacinas demais", afirma Liliane Azambuja, pediatra homeopata e criadora da comunidade virtual Tem Vacina D+. De acordo com a médica, as chamadas doenças da infância, como o sarampo, ajudam a fortalecer o sistema imunológico da criança saudável. "Cerca de 90% das crianças que chegam ao meu consultório têm algum tipo de alergia. Elas são mais atópicas do que as crianças de décadas atrás. Claro que há outros fatores envolvidos, mas a vacina tem um papel importante", diz.
Para a pediatra, seria ideal ainda que o calendário fosse repensado e as vacinas fossem dadas em períodos mais esparsos e tardios. A época de início da imunização mais adequada, seria, então, aos seis meses de idade, quando o sistema imunológico do bebê já está mais amadurecido. "Uma enorme quantidade de organismos inoculados é dado de uma vez a uma criança de meses. Acho isso muito agressivo, além de acreditar que possa ajudar a desenvolver doenças autoimunes", diz Liliane. É bom lembrar que o sarampo é uma doença altamente contagiosa e, embora na maioria dos casos não coloque em risco crianças saudáveis, pode ser fatal para pessoas com o sistema imunológico sem resistência.
Vizinhança de risco — Felizmente, o movimento antivacinação ainda engatinha no Brasil. Em países da Europa e nos Estados Unidos, no entanto, ele vem causando surtos que preocupam as autoridades de saúde. Grupos antivacinação sempre existiram, mas em 1998 ganharam o reforço que sempre esperaram. Um estudo publicado em um dos principais periódicos médicos do mundo, o britânico Lancet, de autoria do médico Andrew Wakefield, alegava que 12 crianças que eram normais até receberem a vacina tríplice viral se tornaram autistas depois de desenvolverem inflamações intestinais. O estrago provocado foi grande. Após a divulgação da pesquisa, muitos pais optaram por deixar de vacinar os filhos contra as doenças infantis. Como resultado, houve um aumento dos casos de sarampo na Europa e nos Estados Unidos, onde a ideia de que vacinas fazem mal também prosperou. Em 2008, tanto o País de Gales quanto a Inglaterra registraram epidemias de rubéola.
O estudo, porém, era uma fraude. O jornalista Brian Deer desmascarou Wakefield, no British Medical Journal, ao provar que cinco das 12 crianças já tinham problemas de desenvolvimento, fato encoberto pelo médico. Várias pesquisas e investigações (britânica, canadense e americana) foram feitas depois do controvertido estudo, que só levou em conta a pequena amostragem de 12 crianças, e não encontraram relação entre o aparecimento do autismo e a vacina tríplice.
Wakefield perdeu a licença médica, mas continua com certo prestígio nos Estados Unidos, onde vive e ainda defende a ideia de que vacinas podem causar autismo. Influenciada por Wakefield, uma celebridade de miolo mole chamada Jenny McCarthy, cujas grandes credenciais científicas incluem ser ex-namorada de Jim Carrey e ex-coelhinha da Playboy, atribui o autismo de seu filho às vacinas e vai frequentemente à TV convencer os pais a não vacinarem seus filhos. O resultado da nefasta dupla ainda pode ser sentido em dois continentes. De acordo com o Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças, em 2011 foram registrados 30.567 casos de sarampo em 29 países da Europa. Em 2009, foram 7.175. Nos Estados Unidos, o estado de Indiana registrou 14 casos de sarampo, em fevereiro, depois que duas pessoas contaminadas foram assistir aos jogos do Super Bowl. Dos contaminados, 13 não haviam sido imunizados.
No Brasil, surtos do gênero ainda são pequenos. No estado de São Paulo, foram registrados, em 2011, 26 casos de sarampo. Desses, 60% ocorreram em pessoas não vacinadas — sete em crianças menores de um ano, cinco em indivíduos não vacinados por opção e quatro casos sem vacina documentada. Já na capital paulista foram 13 casos, com 10 ocorrendo em função da falta de vacina. O surto teve início em uma creche no bairro do Butantã, em seis bebês menores de um ano (idade indicada para a primeira dose), passando para quatro crianças com idades entre cinco e 10 anos (que não haviam sido imunizadas). "Esses surtos costumam acontecer em bolsões pequenos, porque essas crianças não vacinadas frequentam as mesmas escolas. Mas há sempre o risco, porque o vírus continua em circulação", diz Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.
Dentro da lei — A garantia da vacinação está, no entanto, institucionalizada no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Consta no artigo quarto que é dever da família assegurar a efetivação dos direitos à saúde. Não há, no entanto, nenhuma fiscalização que obrigue os pais a vacinar corretamente os filhos. Mas, de acordo com Ricardo Cabezón, presidente da Comissão de Estudos do ECA da Ordem dos Advogados de São Paulo, cabe aos pais gerenciar esses direitos, e não dispor deles. "Se a criança vier a adoecer em função de uma falha na vacinação, isso pode levar à perda do poder familiar. Os pais podem responder por crime de abandono, omissão dolosa ou culposa", diz.
Para o advogado, há uma diferença entre a escolha pessoal entre diversos tratamentos (que podem ser guiados pelas crenças e filosofias dos pais) e a recusa dos mesmos. "Só se pode tomar uma decisão como essa quando há embasamento científico que o fundamente. Não vai vacinar porque tem medo de alguma complicação? Então, tenha todas as provas científicas emitidas por autoridades médicas", diz. Do contrário, garante Cabezón, os pais correm o risco até mesmo de perder a guarda da criança. "Há uma série de medidas que um juiz pode tomar para garantir o direito da criança à saúde."
O destino das 180 mil toneladas de lixo que produzimos todos os dias.
Para onde vai o lixo depois que é descartado? Como destinar resíduos para reciclagem, e o que pode ser reciclado? ÉPOCA preparou um especial para mostrar o que acontece com o lixo que você produz em casa.
REDAÇÃO ÉPOCA
O brasileiro produz, em média, um pouco mais de um quilo de lixo por dia. Um quilo de resíduos indesejados, que simplesmente "jogamos fora", mas que somados, chegam a incrível cifra de 180 mil toneladas de resíduos descartados todos os dias. Mas o que é jogar fora? Para onde vai esse lixo, e qual as consequências de destinar esses resíduos de maneira inadequada?
ÉPOCA preparou um especial on-line para responder essas perguntas. A ideia é mostrar como descartar, reutilizar e reciclar e o que fazer com os rejeitos – a parte do lixo que não tem como ser reciclada.
Em "Comece a reciclagem dentro de casa", mostramos como descartar o lixo, separando o que deve ser reciclado do lixo que será destinado aos aterros. Duas reportagens mostram o que são os aterros: em "Como funciona um aterro sanitário", fomos até o Tecipar, aterro que atende as cidades de Santana de Parnaíba, Barueri, Carapicuíba e Araçariguama, na Grande São Paulo. Em "O lixo que vira energia e crédito de carbono", mostramos o caso do aterro Bandeirantes, desativado em 2007 e que usa as 40 milhões de toneladas de lixo enterradas no local para gerar energia.
Mas antes de o lixo chegar aos aterros, há um longo caminho. Relatamos a rotina dos coletores e a dificuldade em fazer uma coleta diária de mais de 10 mil toneladas de lixo na maior cidade do país em "Quem recolhe o seu lixo", e o caminho alternativo, em "Como o seu lixo é reciclado". Além disso, mostramos que lixo eletrônico tem solução em "Seus eletroeletrônicos também podem ser reciclados".
Você também pode ver os "Números da reciclagem no Brasil" e uma entrevista explicando as mudanças na política brasileira em relação ao lixo, em "O que é o Plano Nacional de Resíduos Sólidos".
Comece a reciclagem dentro de casa
Como separar o lixo doméstico e o que fazer para se livrar de eletrodomésticos antigos.
O Plano Nacional de Resíduos Sólidos prevê que, a partir de dezembro de 2014, nenhum lixo poderá ser despejado a céu aberto e que somente o rejeito deverá ser disposto em locais ambientalmente adequados. Como rejeito, o governo entende o que não pode ser aproveitado – reutilizado ou reciclado – depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis. Com isso, cabe à sociedade, às empresas e ao próprio governo mudar o hábito e a cultura de como cuidamos do nosso lixo.
As empresas terão de implementar a logística reversa. Trata-se de um conjunto de ações que garantem a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada. Ou seja, se você quiser se livrar de uma televisão (ou qualquer eletrônico ou eletrodoméstico), deve entrar em contato com o fabricante, que será responsável pela coleta. O mesmo terá de acontecer com agrotóxicos; pilhas e baterias; pneus; óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens, e lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista. Os demais resíduos devem ser separados para a reciclagem ou, na impossibilidade de sua reutilização, levados a centros de compostagem ou aterros. Abaixo, algumas dicas para a separação do lixo doméstico.
Como funciona um aterro sanitário
Até agosto de 2014, todos os municípios brasileiros precisam apresentar um plano de destinação adequada aos rejeitos em aterros sanitários.
O aterro da Tecipar recebe cerca de 700 toneladas de lixo por dia dos municípios de Santana de Parnaíba, Barueri,Carapicuíba e Araçariguama (Foto: Reprodução/ÉPOCA)
O lixão de Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo, foi desativado em 2010. Agora, o lixo doméstico não reciclável vai para um aterro particular, Tecipar. Regulado e fiscalizado pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), o aterro segue todas as normas para prevenir a contaminação do solo e do lençol freático e passa por uma auditoria da Organização das Nações Unidas (ONU) para poder vender crédito de carbono com a queima do gás metano produzido pela decomposição do lixo. O líquido que esse lixo solta ao longo do tempo, o chorume, é drenado para piscinas e depois transportado para estações de tratamento de esgoto. No fim, ele retorna ao aterro em forma de um pó preto.
O aterro da Tecipar recebe cerca de 700 toneladas de lixo por dia dos municípios de Santana de Parnaíba, Barueri,Carapicuíba e Araçariguama. Ele funciona 24 horas por dia, seis dias por semana. Cada camada de lixo compactado com terra argilosa tem cerca de cinco metros de altura e só a argila pode ser usada para cobrir o lixo, por ser impermeabilizante. Essa camada de terra que vai por cima dos resíduos evita a presença de animais, como urubus e cães. E, assim como prevê a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), catadores de materiais recicláveis estão proibidos de entrar no aterro.
As diversas áreas do aterro possuem drenos com os poços que coletam gases resultantes da decomposição do lixo, sendo o metano (CH4), o gás carbônico (CO2) e o oxigênio (O2) os mais presentes. Esses gases são queimados – e o metano deve ser totalmente quebrado em gases não poluentes para que a empresa possa vender crédito de carbono. No dia da visita da reportagem de ÉPOCA ao aterro, 32,3% do gás coletado eram metano, 22,9%, gás carbônico, e 6,41%, oxigênio.
saiba mais
Segundo a PNRS, até agosto de 2014, todos os municípios brasileiros (ou convênios de municípios) precisam apresentar um plano de destinação adequada aos rejeitos em aterros sanitários. No Brasil, o destino final dos resíduos sólidos são os lixões (ou vazadouros a céu aberto) em 50,8% dos municípios, em aterro controlado em 22,5% e em aterro sanitário em 27,7%. Esses são dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico de 2008. Todos os dias, são coletadas 188.815 toneladas de resíduos, sendo que 58,3% vão para aterro sanitário, 19,8%, para lixão e apenas 1,4% para reciclagem. Ainda há 2.906 lixões no Brasil, distribuídos em 2.810 municípios, que devem ser erradicados.
O lixo que vira energia e crédito de carbono
Aterro Bandeirantes, em São Paulo, foi fechado em 2007. Mas as 40 milhões de toneladas de lixo enterradas lá podem ser usadas para gerar energia.
Na superfície, uma paisagem bucólica, com grama verde, pequenos morros e algumas árvores de pequeno porte. Quem vê o campo, às margens da rodovia dos Bandeirantes, em São Paulo, não imagina que debaixo do gramado estão enterradas mais de 40 milhões de toneladas de lixo, espalhadas pelos 140 hectares do Aterro Bandeirantes. O aterro, administrado pela empresa Loga, funcionou entre os anos de 1979 até 2007. Nesse período, recebia metade de todo o lixo produzido diariamente em São Paulo.
O destino final do lixo orgânico é ainda um grande problema no Brasil. Todos os dias, mais de 190 mil toneladas de lixo são levadas para aterros, ou pior, lixões, em todo o país. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) diz que os governos têm até 2014 para acabar com todos os lixões, uma tarefa nada fácil, já que pelo menos metade dos municípios do país ainda destina seus lixos para lixões.
O técnico da Loga Álvaro Mitsuo Seriguti, que trabalha na administração do aterro, diz que a grande diferença entre lixões e aterros é que os aterros tratam o lixo para evitar contaminação do lençol freático ou da atmosfera. Isso porque o lixo se decompõe, gerando o chorume, um líquido poluente, e gás, principalmente metano, que polui e é 20 vezes pior para o clima da Terra do que o gás carbônico. A preocupação com o metano é tanta que não se pode, por exemplo, plantar árvores de grande porte no terreno do aterro, pois as raízes atingiriam os resíduos e poderiam liberar o metano na atmosfera.
Para capturar esse gás, o aterro Bandeirantes tem 400 pontos de captura, que retiram o metano que se forma com a putrefação do lixo, debaixo da terra, e leva para a Usina Termelétrica Bandeirantes. A usina, administrada pela empresa Biogás, aproveita esse metano, transformando o gás do lixo em eletricidade: a usina tem capacidade de fornecer energia elétrica para até 300 mil pessoas.
A Biogás faz parte de um programa de crédito de carbono. Como o metano seria liberado na atmosfera caso a usina não existisse, poluindo o ar e contribuindo para o fenômeno do aquecimento global, a usina e a prefeitura recebem dinheiro por evitar essas emissões. O ganho é duplo: financeiro, para a cidade e para a empresa, e ambiental para a sociedade. Anderson Alves da Silva, coordenador da Biogás, diz que, sem a usina, 80% do metano do aterro simplesmente sairiam para a atmosfera. Com a usina, apenas 0,01% polui o ar. "Só nesta manhã, por exemplo, nós deixamos de emitir até o momento 300 toneladas de CO2 equivalente", disse.
Quem recolhe o seu lixo
A rotina diária da coleta de lixo em uma grande cidade, como São Paulo, não é simples. Para piorar, falta conscientização, e muitas pessoas ainda descartam o lixo de forma irregular.
BRUNO CALIXTO
De um pátio na zona leste de São Paulo, os caminhões partem para a coleta de lixo da maior cidade do país. Pedro Escudeiro, coordenador de operações da Loga, uma das duas concessionárias que trabalham com coleta de lixo na cidade de São Paulo, está no escritório para acompanhar a saída das equipes da garagem.
Ao mesmo tempo, Escudeiro briga para resolver um problema provocado pelo recorrente descarte inadequado do lixo: um grupo que trabalhava na madrugada encontrou lixo hospitalar misturado com lixo doméstico, no material descartado por um hospital. A lei especifica que esse tipo de lixo não pode ser misturado com o comum. O material hospitalar é chamado de infectante, pode provocar doenças. E agulhas e seringas são um perigo. Escudeiro faz ligações, aciona a Limpurb, departamento da Prefeitura de São Paulo responsável pelo lixo da cidade, e até ameaça colocar o caso na imprensa. "Vamos ver se a prefeitura resolve. Se não resolver, vou passar as fotos para os jornalistas", disse.
No pátio, as equipes estão reunidas para iniciar a viagem do caminhão. A primeira pergunta para pegar carona na rotina desses trabalhadores é esclarecer o nome certo da profissão: lixeiro ou gari. "Quem faz o pão? O padeiro. Quem faz o sapato? O sapateiro. Agora, quem faz o lixo?", questionam. Não é o lixeiro, evidentemente. Quem faz o lixo somos todos nós. Portanto, é um dia de trabalho dos coletores de lixo que ÉPOCA vai acompanhar.
O roteiro é simples: seguir o lixo. Mas é complicado seguir qualquer coisa no trânsito de São Paulo. Mesmo em um bairro de ruas tranquilas, motoristas mostram impaciência com o caminhão: a velocidade média dos caminhões de lixo durante a coleta é de 8 km/h, e é comum os coletores escutarem buzinas enquanto trabalham. Mas o principal risco para a saúde do trabalhador é manusear material descartado inadequadamente. "As pessoas poderiam ajudar mais. Ainda tem pessoas que descartam seringas, descartam vidro, de maneira inadequada", diz o coletor Antonio Urbano Marques Silva. Só em São Paulo, mais de 3 mil pessoas trabalham com coleta de lixo. No caso do lixo domiciliar, são três coletores por caminhão, que percorrem por dia quase a mesma distância de uma maratona (42 quilômetros).
Durante o trajeto, os funcionários da Loga contam à reportagem as dificuldades que enfrentam nas ruas. Uma vez, dizem, um dos caminhões foi multado por parar em fila dupla. Segundo eles, o caminhão não estava estacionado, apenas parado esperando os coletores recolherem o lixo, e não existia alternativa a parar em fila dupla, a não ser que o lixo simplesmente não fosse recolhido. Relatam, além de muitas, eventuais acidentes de trânsito e até um caso de tentativa de roubo de um caminhão de lixo. Por que alguém roubaria um caminhão de lixo? Provavelmente para desmontar e vender o motor, afirmam.
São mais de 200 caminhões, que carregam de sete a doze toneladas de resíduos sólidos por viagem – e um caminhão pode fazer até cinco viagens por dia. No total, a empresa coleta 6 mil toneladas de lixo diariamente – e trata-se apenas de uma das duas concessionárias de coleta da cidade. A estimativa oficial é que São Paulo produz 10 mil toneladas de lixo todos os dias, e esse número se refere somente ao lixo doméstico, sem entrar no cálculo os resíduos industriais. Perto desse número, a quantidade destinada para a coleta seletiva parece irrelevante: apenas 155 toneladas.
Após a coleta, o caminhão não leva o lixo diretamente para o aterro, mas para uma estação de transbordo. Cerca de 90% de todo o lixo coletado pela empresa passa por uma estação na zona leste, que está sendo reconstruída e reformada para melhor administrar toda essa quantidade de lixo. Na estação, máquinas (empilhadeiras, escavadeiras) empilham o lixo e o transportam para uma carreta, que, aí, sim, vai transportar para o aterro. A estação é necessária por uma questão de logística: a carreta que sai da estação carrega duas vezes e meia mais lixo do que os caminhões comuns. Além disso, ela libera os caminhões para fazer outros setores da cidade, economizando viagens e combustível.
Com o lixo no aterro, fica evidente um dos problemas da gestão de resíduos em uma megalópole como São Paulo: os aterros não são eternos, eles se esgotam. Dois grandes aterros que a cidade utilizava foram fechados recentemente: o Aterro Bandeirantes, de responsabilidade da Loga, fechou em 2007, e o outro, o Aterro São João, fechou em 2009. Hoje, São Paulo manda seu lixo para aterros em outras cidades, como Guarulhos e Caieras, ambas na região metropolitana da cidade.
Enquanto partíamos para conhecer o aterro, o coordenador da Loga Pedro Escudeiro recebe uma ligação em seu celular. Era da prefeitura. A Limpurb havia registrado a ocorrência de lixo hospitalar misturado com o lixo comum naquele hospital, e aplicara três multas de R$ 1.000. "Eles colocam os garis em risco de contaminação e tudo que acontece é uma multa de R$ 1.000", diz. O problema do lixo nas cidades brasileiras tem solução, com projetos ambientais, reciclagem e respeito à coleta. Mas antes é preciso entender que o lixo é de fato um problema de todos os cidadãos. Não apenas o munícipe deve aprender a descartar seu lixo corretamente, assim como empresas e hospitais precisam enxergar o perigo de descartar o lixo de forma errada.
O Lixo é um problema de todos nós, temos que refletir e pensar que separando os materiais jogados no lixo, estamos dando nossa pequena contribuição ao Planeta e a uma melhor qualidade de vida a todos os seres vivos.
Material retirado da revista Época
REDAÇÃO ÉPOCA
O brasileiro produz, em média, um pouco mais de um quilo de lixo por dia. Um quilo de resíduos indesejados, que simplesmente "jogamos fora", mas que somados, chegam a incrível cifra de 180 mil toneladas de resíduos descartados todos os dias. Mas o que é jogar fora? Para onde vai esse lixo, e qual as consequências de destinar esses resíduos de maneira inadequada?
ÉPOCA preparou um especial on-line para responder essas perguntas. A ideia é mostrar como descartar, reutilizar e reciclar e o que fazer com os rejeitos – a parte do lixo que não tem como ser reciclada.
Em "Comece a reciclagem dentro de casa", mostramos como descartar o lixo, separando o que deve ser reciclado do lixo que será destinado aos aterros. Duas reportagens mostram o que são os aterros: em "Como funciona um aterro sanitário", fomos até o Tecipar, aterro que atende as cidades de Santana de Parnaíba, Barueri, Carapicuíba e Araçariguama, na Grande São Paulo. Em "O lixo que vira energia e crédito de carbono", mostramos o caso do aterro Bandeirantes, desativado em 2007 e que usa as 40 milhões de toneladas de lixo enterradas no local para gerar energia.
Mas antes de o lixo chegar aos aterros, há um longo caminho. Relatamos a rotina dos coletores e a dificuldade em fazer uma coleta diária de mais de 10 mil toneladas de lixo na maior cidade do país em "Quem recolhe o seu lixo", e o caminho alternativo, em "Como o seu lixo é reciclado". Além disso, mostramos que lixo eletrônico tem solução em "Seus eletroeletrônicos também podem ser reciclados".
Você também pode ver os "Números da reciclagem no Brasil" e uma entrevista explicando as mudanças na política brasileira em relação ao lixo, em "O que é o Plano Nacional de Resíduos Sólidos".
Comece a reciclagem dentro de casa
Como separar o lixo doméstico e o que fazer para se livrar de eletrodomésticos antigos.
O Plano Nacional de Resíduos Sólidos prevê que, a partir de dezembro de 2014, nenhum lixo poderá ser despejado a céu aberto e que somente o rejeito deverá ser disposto em locais ambientalmente adequados. Como rejeito, o governo entende o que não pode ser aproveitado – reutilizado ou reciclado – depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis. Com isso, cabe à sociedade, às empresas e ao próprio governo mudar o hábito e a cultura de como cuidamos do nosso lixo.
As empresas terão de implementar a logística reversa. Trata-se de um conjunto de ações que garantem a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada. Ou seja, se você quiser se livrar de uma televisão (ou qualquer eletrônico ou eletrodoméstico), deve entrar em contato com o fabricante, que será responsável pela coleta. O mesmo terá de acontecer com agrotóxicos; pilhas e baterias; pneus; óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens, e lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista. Os demais resíduos devem ser separados para a reciclagem ou, na impossibilidade de sua reutilização, levados a centros de compostagem ou aterros. Abaixo, algumas dicas para a separação do lixo doméstico.
Como funciona um aterro sanitário
Até agosto de 2014, todos os municípios brasileiros precisam apresentar um plano de destinação adequada aos rejeitos em aterros sanitários.
O aterro da Tecipar recebe cerca de 700 toneladas de lixo por dia dos municípios de Santana de Parnaíba, Barueri,Carapicuíba e Araçariguama (Foto: Reprodução/ÉPOCA)
O lixão de Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo, foi desativado em 2010. Agora, o lixo doméstico não reciclável vai para um aterro particular, Tecipar. Regulado e fiscalizado pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), o aterro segue todas as normas para prevenir a contaminação do solo e do lençol freático e passa por uma auditoria da Organização das Nações Unidas (ONU) para poder vender crédito de carbono com a queima do gás metano produzido pela decomposição do lixo. O líquido que esse lixo solta ao longo do tempo, o chorume, é drenado para piscinas e depois transportado para estações de tratamento de esgoto. No fim, ele retorna ao aterro em forma de um pó preto.
O aterro da Tecipar recebe cerca de 700 toneladas de lixo por dia dos municípios de Santana de Parnaíba, Barueri,Carapicuíba e Araçariguama. Ele funciona 24 horas por dia, seis dias por semana. Cada camada de lixo compactado com terra argilosa tem cerca de cinco metros de altura e só a argila pode ser usada para cobrir o lixo, por ser impermeabilizante. Essa camada de terra que vai por cima dos resíduos evita a presença de animais, como urubus e cães. E, assim como prevê a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), catadores de materiais recicláveis estão proibidos de entrar no aterro.
As diversas áreas do aterro possuem drenos com os poços que coletam gases resultantes da decomposição do lixo, sendo o metano (CH4), o gás carbônico (CO2) e o oxigênio (O2) os mais presentes. Esses gases são queimados – e o metano deve ser totalmente quebrado em gases não poluentes para que a empresa possa vender crédito de carbono. No dia da visita da reportagem de ÉPOCA ao aterro, 32,3% do gás coletado eram metano, 22,9%, gás carbônico, e 6,41%, oxigênio.
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Segundo a PNRS, até agosto de 2014, todos os municípios brasileiros (ou convênios de municípios) precisam apresentar um plano de destinação adequada aos rejeitos em aterros sanitários. No Brasil, o destino final dos resíduos sólidos são os lixões (ou vazadouros a céu aberto) em 50,8% dos municípios, em aterro controlado em 22,5% e em aterro sanitário em 27,7%. Esses são dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico de 2008. Todos os dias, são coletadas 188.815 toneladas de resíduos, sendo que 58,3% vão para aterro sanitário, 19,8%, para lixão e apenas 1,4% para reciclagem. Ainda há 2.906 lixões no Brasil, distribuídos em 2.810 municípios, que devem ser erradicados.
O lixo que vira energia e crédito de carbono
Aterro Bandeirantes, em São Paulo, foi fechado em 2007. Mas as 40 milhões de toneladas de lixo enterradas lá podem ser usadas para gerar energia.
Na superfície, uma paisagem bucólica, com grama verde, pequenos morros e algumas árvores de pequeno porte. Quem vê o campo, às margens da rodovia dos Bandeirantes, em São Paulo, não imagina que debaixo do gramado estão enterradas mais de 40 milhões de toneladas de lixo, espalhadas pelos 140 hectares do Aterro Bandeirantes. O aterro, administrado pela empresa Loga, funcionou entre os anos de 1979 até 2007. Nesse período, recebia metade de todo o lixo produzido diariamente em São Paulo.
O destino final do lixo orgânico é ainda um grande problema no Brasil. Todos os dias, mais de 190 mil toneladas de lixo são levadas para aterros, ou pior, lixões, em todo o país. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) diz que os governos têm até 2014 para acabar com todos os lixões, uma tarefa nada fácil, já que pelo menos metade dos municípios do país ainda destina seus lixos para lixões.
O técnico da Loga Álvaro Mitsuo Seriguti, que trabalha na administração do aterro, diz que a grande diferença entre lixões e aterros é que os aterros tratam o lixo para evitar contaminação do lençol freático ou da atmosfera. Isso porque o lixo se decompõe, gerando o chorume, um líquido poluente, e gás, principalmente metano, que polui e é 20 vezes pior para o clima da Terra do que o gás carbônico. A preocupação com o metano é tanta que não se pode, por exemplo, plantar árvores de grande porte no terreno do aterro, pois as raízes atingiriam os resíduos e poderiam liberar o metano na atmosfera.
Para capturar esse gás, o aterro Bandeirantes tem 400 pontos de captura, que retiram o metano que se forma com a putrefação do lixo, debaixo da terra, e leva para a Usina Termelétrica Bandeirantes. A usina, administrada pela empresa Biogás, aproveita esse metano, transformando o gás do lixo em eletricidade: a usina tem capacidade de fornecer energia elétrica para até 300 mil pessoas.
A Biogás faz parte de um programa de crédito de carbono. Como o metano seria liberado na atmosfera caso a usina não existisse, poluindo o ar e contribuindo para o fenômeno do aquecimento global, a usina e a prefeitura recebem dinheiro por evitar essas emissões. O ganho é duplo: financeiro, para a cidade e para a empresa, e ambiental para a sociedade. Anderson Alves da Silva, coordenador da Biogás, diz que, sem a usina, 80% do metano do aterro simplesmente sairiam para a atmosfera. Com a usina, apenas 0,01% polui o ar. "Só nesta manhã, por exemplo, nós deixamos de emitir até o momento 300 toneladas de CO2 equivalente", disse.
Quem recolhe o seu lixo
A rotina diária da coleta de lixo em uma grande cidade, como São Paulo, não é simples. Para piorar, falta conscientização, e muitas pessoas ainda descartam o lixo de forma irregular.
BRUNO CALIXTO
De um pátio na zona leste de São Paulo, os caminhões partem para a coleta de lixo da maior cidade do país. Pedro Escudeiro, coordenador de operações da Loga, uma das duas concessionárias que trabalham com coleta de lixo na cidade de São Paulo, está no escritório para acompanhar a saída das equipes da garagem.
Ao mesmo tempo, Escudeiro briga para resolver um problema provocado pelo recorrente descarte inadequado do lixo: um grupo que trabalhava na madrugada encontrou lixo hospitalar misturado com lixo doméstico, no material descartado por um hospital. A lei especifica que esse tipo de lixo não pode ser misturado com o comum. O material hospitalar é chamado de infectante, pode provocar doenças. E agulhas e seringas são um perigo. Escudeiro faz ligações, aciona a Limpurb, departamento da Prefeitura de São Paulo responsável pelo lixo da cidade, e até ameaça colocar o caso na imprensa. "Vamos ver se a prefeitura resolve. Se não resolver, vou passar as fotos para os jornalistas", disse.
No pátio, as equipes estão reunidas para iniciar a viagem do caminhão. A primeira pergunta para pegar carona na rotina desses trabalhadores é esclarecer o nome certo da profissão: lixeiro ou gari. "Quem faz o pão? O padeiro. Quem faz o sapato? O sapateiro. Agora, quem faz o lixo?", questionam. Não é o lixeiro, evidentemente. Quem faz o lixo somos todos nós. Portanto, é um dia de trabalho dos coletores de lixo que ÉPOCA vai acompanhar.
O roteiro é simples: seguir o lixo. Mas é complicado seguir qualquer coisa no trânsito de São Paulo. Mesmo em um bairro de ruas tranquilas, motoristas mostram impaciência com o caminhão: a velocidade média dos caminhões de lixo durante a coleta é de 8 km/h, e é comum os coletores escutarem buzinas enquanto trabalham. Mas o principal risco para a saúde do trabalhador é manusear material descartado inadequadamente. "As pessoas poderiam ajudar mais. Ainda tem pessoas que descartam seringas, descartam vidro, de maneira inadequada", diz o coletor Antonio Urbano Marques Silva. Só em São Paulo, mais de 3 mil pessoas trabalham com coleta de lixo. No caso do lixo domiciliar, são três coletores por caminhão, que percorrem por dia quase a mesma distância de uma maratona (42 quilômetros).
Durante o trajeto, os funcionários da Loga contam à reportagem as dificuldades que enfrentam nas ruas. Uma vez, dizem, um dos caminhões foi multado por parar em fila dupla. Segundo eles, o caminhão não estava estacionado, apenas parado esperando os coletores recolherem o lixo, e não existia alternativa a parar em fila dupla, a não ser que o lixo simplesmente não fosse recolhido. Relatam, além de muitas, eventuais acidentes de trânsito e até um caso de tentativa de roubo de um caminhão de lixo. Por que alguém roubaria um caminhão de lixo? Provavelmente para desmontar e vender o motor, afirmam.
São mais de 200 caminhões, que carregam de sete a doze toneladas de resíduos sólidos por viagem – e um caminhão pode fazer até cinco viagens por dia. No total, a empresa coleta 6 mil toneladas de lixo diariamente – e trata-se apenas de uma das duas concessionárias de coleta da cidade. A estimativa oficial é que São Paulo produz 10 mil toneladas de lixo todos os dias, e esse número se refere somente ao lixo doméstico, sem entrar no cálculo os resíduos industriais. Perto desse número, a quantidade destinada para a coleta seletiva parece irrelevante: apenas 155 toneladas.
Após a coleta, o caminhão não leva o lixo diretamente para o aterro, mas para uma estação de transbordo. Cerca de 90% de todo o lixo coletado pela empresa passa por uma estação na zona leste, que está sendo reconstruída e reformada para melhor administrar toda essa quantidade de lixo. Na estação, máquinas (empilhadeiras, escavadeiras) empilham o lixo e o transportam para uma carreta, que, aí, sim, vai transportar para o aterro. A estação é necessária por uma questão de logística: a carreta que sai da estação carrega duas vezes e meia mais lixo do que os caminhões comuns. Além disso, ela libera os caminhões para fazer outros setores da cidade, economizando viagens e combustível.
Com o lixo no aterro, fica evidente um dos problemas da gestão de resíduos em uma megalópole como São Paulo: os aterros não são eternos, eles se esgotam. Dois grandes aterros que a cidade utilizava foram fechados recentemente: o Aterro Bandeirantes, de responsabilidade da Loga, fechou em 2007, e o outro, o Aterro São João, fechou em 2009. Hoje, São Paulo manda seu lixo para aterros em outras cidades, como Guarulhos e Caieras, ambas na região metropolitana da cidade.
Enquanto partíamos para conhecer o aterro, o coordenador da Loga Pedro Escudeiro recebe uma ligação em seu celular. Era da prefeitura. A Limpurb havia registrado a ocorrência de lixo hospitalar misturado com o lixo comum naquele hospital, e aplicara três multas de R$ 1.000. "Eles colocam os garis em risco de contaminação e tudo que acontece é uma multa de R$ 1.000", diz. O problema do lixo nas cidades brasileiras tem solução, com projetos ambientais, reciclagem e respeito à coleta. Mas antes é preciso entender que o lixo é de fato um problema de todos os cidadãos. Não apenas o munícipe deve aprender a descartar seu lixo corretamente, assim como empresas e hospitais precisam enxergar o perigo de descartar o lixo de forma errada.
O Lixo é um problema de todos nós, temos que refletir e pensar que separando os materiais jogados no lixo, estamos dando nossa pequena contribuição ao Planeta e a uma melhor qualidade de vida a todos os seres vivos.
Material retirado da revista Época
Aluno cria aparelho que mostra gasto de energia elétrica em tempo real.
Programa faz a transformação do consumo de kilowatts em reais.
Jovem de São João da Boa Vista, SP, participará de feira em São Paulo.
Um aluno do ensino médio de São João da Boa Vista, no interior de São Paulo, desenvolveu, durante as aulas de eletrônica, um aparelho que mostra o gasto de energia elétrica de uma casa em tempo real. O estudante foi classificado para participar da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia na capital.
O aparelho promete ajudar o consumidor a controlar melhor a conta de luz. Ele transforma o consumo de kilowatts em reais, orientando quanto o consumidor está gastando.
O estudante Rodrigo Fernandes desenvolveu um circuito de medição e um programa que apresenta os dados no computador. Digitando o valor que a concessionária cobra por kilowatts/hora, o sistema aponta o gasto.
Ao acender uma lâmpada, por exemplo, o aparelho indica que o gasto será de R$ 0,2 por hora que continuar acesa. O equipamento é ligado ao relógio tradicional, usado pela empresa que fornece a energia e traduz de forma imediata as informações que só chegariam ao fim do mês.
Durante a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, em São Paulo, Rodrigo terá contato com professores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), empresários e outros inventores. O jovem espera trazer informações que ajudem a melhorar o projeto que criou.
A feira será entre segunda-feira (12) e sexta-feira (16), na Escola Politécnica da USP, em São Paulo. Mais informações podem ser obtidas no site do evento.
Jovem de São João da Boa Vista, SP, participará de feira em São Paulo.
Um aluno do ensino médio de São João da Boa Vista, no interior de São Paulo, desenvolveu, durante as aulas de eletrônica, um aparelho que mostra o gasto de energia elétrica de uma casa em tempo real. O estudante foi classificado para participar da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia na capital.
O aparelho promete ajudar o consumidor a controlar melhor a conta de luz. Ele transforma o consumo de kilowatts em reais, orientando quanto o consumidor está gastando.
O estudante Rodrigo Fernandes desenvolveu um circuito de medição e um programa que apresenta os dados no computador. Digitando o valor que a concessionária cobra por kilowatts/hora, o sistema aponta o gasto.
Ao acender uma lâmpada, por exemplo, o aparelho indica que o gasto será de R$ 0,2 por hora que continuar acesa. O equipamento é ligado ao relógio tradicional, usado pela empresa que fornece a energia e traduz de forma imediata as informações que só chegariam ao fim do mês.
Durante a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, em São Paulo, Rodrigo terá contato com professores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), empresários e outros inventores. O jovem espera trazer informações que ajudem a melhorar o projeto que criou.
A feira será entre segunda-feira (12) e sexta-feira (16), na Escola Politécnica da USP, em São Paulo. Mais informações podem ser obtidas no site do evento.
quinta-feira, 8 de março de 2012
O significado da Páscoa...
Já falta pouco para a Páscoa, mas você sabe o significado desta festa?
A Páscoa é uma festa cristã que celebra a ressurreição de Jesus Cristo. Depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu, até sua ressurreição, quando seu espírito e seu corpo foram reunificados. É o dia santo mais importante da religião cristã, quando as pessoas vão às igrejas e participam de cerimônias religiosas.
Muitos costumes ligados ao período pascal originam-se dos festivais pagãos da primavera. Outros vêm da celebração do Pessach, ou Passover, a Páscoa judaica. É uma das mais importantes festas do calendário judaico, que é celebrada por 8 dias e comemora o êxodo dos israelitas do Egito durante o reinado do faraó Ramsés II, da escravidão para a liberdade. Um ritual de passagem, assim como a "passagem" de Cristo, da morte para a vida.
No português, como em muitas outras línguas, a palavra Páscoa origina-se do hebraico Pessach. Os espanhóis chamam a festa de Pascua, os italianos de Pasqua e os franceses de Pâques.
A festa tradicional associa a imagem do coelho, um símbolo de fertilidade, e ovos pintados com cores brilhantes, representando a luz solar, dados como presentes. A origem do símbolo do coelho vem do fato de que os coelhos são notáveis por sua capacidade de reprodução. Como a Páscoa é ressurreição, é renascimento, nada melhor do que coelhos, para simbolizar a fertilidade!
Vamos ver agora como surgiu o chocolate...
Quem sabe o que é "Theobroma"? Pois este é o nome dado pelos gregos ao "alimento dos deuses", o chocolate. "Theobroma cacao" é o nome científico dessa gostosura chamada chocolate. Quem o batizou assim foi o botânico sueco Linneu, em 1753.
Mas foi com os Maias e os Astecas que essa história toda começou.
O chocolate era considerado sagrado por essas duas civilizações, tal qual o ouro.
Na Europa chegou por volta do século XVI, tornando rapidamente popular aquela mistura de sementes de cacau torradas e trituradas, depois juntada com água, mel e farinha. Vale lembrar que o chocolate foi consumido, em grande parte de sua história, apenas como uma bebida.
Em meados do século XVI, acreditava-se que, além de possuir poderes afrodisíacos, o chocolate dava poder e vigor aos que o bebiam. Por isso, era reservado apenas aos governantes e soldados.
Aliás, além de afrodisíaco, o chocolate já foi considerado um pecado, remédio, ora sagrado, ora alimento profano. Os astecas chegaram a usá-lo como moeda, tal o valor que o alimento possuía.
Chega o século XX, e os bombons e os ovos de Páscoa são criados, como mais uma forma de estabelecer de vez o consumo do chocolate no mundo inteiro. É tradicionalmente um presente recheado de significados. E não é só gostoso, como altamente nutritivo, um rico complemento e repositor de energia. Não é aconselhável, porém, consumí-lo isoladamente. Mas é um rico complemento e repositor de energia.
E o coelho?
A tradição do coelho da Páscoa foi trazida à América por imigrantes alemães em meados de 1700. O coelhinho visitava as crianças, escondendo os ovos coloridos que elas teriam de encontrar na manhã de Páscoa.
Uma outra lenda conta que uma mulher pobre coloriu alguns ovos e os escondeu em um ninho para dá-los a seus filhos como presente de Páscoa. Quando as crianças descobriram o ninho, um grande coelho passou correndo. Espalhou-se então a história de que o coelho é que trouxe os ovos. A mais pura verdade, alguém duvida?
No antigo Egito, o coelho simbolizava o nascimento e a nova vida. Alguns povos da Antigüidade o consideravam o símbolo da Lua. É possível que ele se tenha tornado símbolo pascal devido ao fato de a Lua determinar a data da Páscoa.
Mas o certo mesmo é que a origem da imagem do coelho na Páscoa está na fertililidade que os coelhos possuem. Geram grandes ninhadas!
Mas por que a Páscoa nunca cai no mesmo dia todo ano?
O dia da Páscoa é o primeiro domingo depois da Lua Cheia que ocorre no dia ou depois de 21 março (a data do equinócio). Entretanto, a data da Lua Cheia não é a real, mas a definida nas Tabelas Eclesiásticas. (A igreja, para obter consistência na data da Páscoa decidiu, no Conselho de Nicea em 325 d.C, definir a Páscoa relacionada a uma Lua imaginária - conhecida como a "lua eclesiástica").
A Quarta-Feira de Cinzas ocorre 46 dias antes da Páscoa, e portanto a Terça-Feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa. Esse é o período da quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas.
Com esta definição, a data da Páscoa pode ser determinada sem grande conhecimento astronômico. Mas a seqüência de datas varia de ano para ano, sendo no mínimo em 22 de março e no máximo em 24 de abril, transformando a Páscoa numa festa "móvel".
De fato, a seqüência exata de datas da Páscoa repete-se aproximadamente em 5.700.000 anos no nosso calendário Gregoriano.
O QUE QUER DIZER "QUARESMA"?
A palavra Quaresma vem do Latim quadragésima e é utilizada para designar o período de quarenta dias que antecedem a festa ápice do cristianismo: a Ressurreição de Jesus Cristo, comemorada no famoso Domingo de Páscoa. Esta prática data desde o século IV.
A Quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas e termina na quinta-feira santa com a Missa da Santa Ceia, exclusive, isto é, termina antes da Missa da Ceia, ao anoitecer. Com a Celebração da Missa também chamada de Missa da Instituição da Eucaristia (ou Missa do Lava Pés), inicia-se o Triduo Pascal. Como o periodo da Quaresmas os católicos realizam a preparação para a Páscoa. O período é reservado para a reflexão, a conversão espiritual. Ou seja, o católico deve se aproximar de Deus visando o crescimento espiritual. Os fiéis são convidados a fazerem uma comparação entre suas vidas e a mensagem cristã expressa nos Evangelhos. Esta comparação significa um recomeço, um renascimento para as questões espirituais e de crescimento pessoal.
O cristão deve intensificar a prática dos princípios essenciais de sua fé com o objetivo de ser uma pessoa melhor e proporcionar o bem para os demais. Essencialmente, o período é um retiro espiritual voltado à reflexão, onde os cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo, Ressuscitado no Domingo de Páscoa. Assim, retomando questões espirituais, simbolicamente o cristão está renascendo, como Cristo. Todas as religiões têm períodos voltados à reflexão, eles fazem parte da disciplina religiosa. Cada doutrina religiosa tem seu calendário específico para seguir.
A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa penitência e conversão.
Cerca de duzentos anos após o nascimento de Cristo, os cristãos começaram a preparar a festa da Páscoa com três dias de oração, meditação e jejum. Por volta do ano 350 d. C., a Igreja aumentou o tempo de preparação para quarenta dias. Assim surgiu a Quaresma.
QUAL O SIGNIFICADO DESTES 40 DIAS?
Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material. Os zeros que o seguem significam o tempo de nossa vida na terra, suas provações e dificuldades. Portanto, a duração da Quaresma está baseada no símbolo deste número na Bíblia.
Nela, é relatada as passagens dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias de Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou a estada dos judeus no Egito, entre outras.
Esses períodos vêm sempre antes de fatos importantes e se relacionam com a necessidade de ir criando um clima adequado e dirigindo o coração para algo que vai acontecer.
O QUE OS CRISTÃOS DEVEM FAZER NO TEMPO DA QUARESMA?
A Igreja católica propõe, por meio do Evangelho proclamado na quarta-feira de cinzas, três grandes linhas de ação: a oração, a penitência e a caridade. Não somente durante a Quaresma, mas em todos os dias de sua vida, o cristão deve buscar o Reino de Deus, ou seja, lutar para que exista justiça, a paz e o amor em toda a humanidade.
Os cristãos devem então recolher-se para a reflexão para se aproximar de Deus. Esta busca inclui a oração, a penitência e a caridade, esta última como uma conseqüência da penitência.
(Retirado do site dos Padres Salesianos (http://www.auxiliadora.org.br))
COMO SE CALCULA A PÁSCOA? QUANDO VAI CAIR?
A Páscoa sempre acontece na primeira lua cheia após a primavera na Europa (outono aqui no Brasil). A primavera na Europa tem um enorme significado de vida, pois durante o inverno toda a natureza fica morta, ressurgindo com o início de uma nova estação. Podemos fazer uma analogia da primavera com a Ressurreição de Jesus, que vence a morte.
Bem, como estávamos falando, quando descobre-se qual o dia da primeira lua cheia da primavera, então passam-se a contar 40 dias (quaresma) para trás, sem incluir os domingos. Então chega-se à data que será a Quarta-Feira de Cinzas e o início da quaresma. Por isso, a Páscoa é uma data móvel, assim como a Sexta-Feira Santa, a Quinta-Feira Santa, o Carvanal etc...
Fonte: PUC e Sitios católicos.
quinta-feira, 1 de março de 2012
O sorriso rentável
*Por Marília Silvério
As razões que levam as pessoas ao mercado de trabalho vão muito além de um contracheque no fim do mês. Todos nós estamos em busca de um propósito, de significado para aquilo que fazemos todos os dias. Queremos ser relevantes, fazer a diferença, contribuir para um bem maior.
Os indivíduos passam muito tempo no trabalho, e com o advento da mobilidade e da conectividade fica ainda mais difícil definir a fronteira que separa o corporativo do privado.
Se em um passado recente felicidade era um tema que pouco importava para muitas organizações, hoje, com os ambientes de trabalho cada vez mais complexos e desafiadores, e com a crescente competitividade e acirrada disputa por talentos, tornou-se pauta obrigatória nas mesas de RHs, diretores e presidentes de empresas.
Não há outro caminho. Só vão se sobressair nesse cenário as empresas que contarem com equipes de alta performance, trabalhando de forma alinhada e coesa. Dessa forma, temos a missão de conciliar as aspirações pessoais dos nossos funcionários com os objetivos e metas organizacionais, e proporcionar ambientes de trabalho positivos, que fomentem a criação de relações de confiança e de cooperação.
Na Serasa Experian, há muito não falamos mais de gestão do clima organizacional, pois acreditamos que esse conceito deixa de lado justamente o propósito e o significado que as pessoas encontram naquilo que fazem todos os dias. Falamos em felicidade e colocamos nosso discurso em prática.
Há 18 meses, desenvolvemos e implantamos internamente uma metodologia que permite mensurar a felicidade dos profissionais em três esferas: na empresa como um todo, na área em que atuam e com o líder ao qual respondem.
A pesquisa é aplicada em uma amostra da população. Trimestralmente 50% da empresa é convidada a participar, respondendo a um questionário extremamente objetivo. São apenas três perguntas às quais os funcionários atribuem uma nota de zero a dez. O diferencial reside na análise qualitativa. Caso queiram, as pessoas podem comentar as suas respostas, e isso nos permite evoluir muito na gestão do ambiente de trabalho, endereçando e corrigindo rapidamente quaisquer desvios e também investindo mais naquilo que está dando certo.
Os resultados têm sido bastante positivos. A média geral da felicidade na empresa passa de oito, em uma escala de zero a dez, e se mantém estável desde a primeira edição da pesquisa. A adesão também é alta, sempre ultrapassando os 50% de participação. Fruto das ações que as pessoas percebem no dia a dia em decorrência da pesquisa.
Mas isso só é possível com o apoio da liderança. É papel dos líderes envolver as pessoas e fazer com que, de fato, se sintam parte da organização, sejam eles líderes de um pequeno time ou de uma grande organização multinacional. Não há desempenho diferenciado em times desengajados ou desmotivados. Ao contrário, pessoas felizes são mais dedicadas, mais criativas, demonstram maior resiliência, têm mais energia e se mantêm produtivas por muito mais tempo. Existe uma relação direta e comprovada entre a felicidade dos profissionais, a satisfação dos clientes e os resultados de negócio.
Felicidade é uma questão bastante subjetiva e, como tal, permite diferentes interpretações. No contexto corporativo, felicidade não é a ausência de tristeza ou de dificuldades, nem um estado de otimismo exacerbado, mas a existência de processos capazes de criar valor para todos os públicos com os quais a empresa interage. É a existência de uma visão clara e realista do presente e, porque não, otimista, do futuro que pretendemos conquistar tanto individual como coletivamente. É o respeito e a valorização das pessoas, a excelência no atendimento ao cliente e a consciência de que responsabilidade social deve permear todos os processos da organização.
Empresas que apoiam os profissionais na descoberta de suas potencialidades, que os desafiam constantemente, que proporcionam oportunidades para que possam se desenvolver e os ajudam a entender a importância e impacto de seus trabalhos são as que vão dispor de times com paixão pelo que fazem e com energia o suficiente para levá-las ao próximo patamar, seja ele qual for.
Hoje, estamos convictos de que não existe forma mais clara e objetiva de preservar a confiança e prover sentido do que enfatizar que buscamos a felicidade dos nossos profissionais no trabalho e, acima de tudo, colocar esse discurso em prática.
*Marília Silvério é gerente corporativa de comunicação interna e cultura organizacional da Serasa Experian
Revista Você RH
As razões que levam as pessoas ao mercado de trabalho vão muito além de um contracheque no fim do mês. Todos nós estamos em busca de um propósito, de significado para aquilo que fazemos todos os dias. Queremos ser relevantes, fazer a diferença, contribuir para um bem maior.
Os indivíduos passam muito tempo no trabalho, e com o advento da mobilidade e da conectividade fica ainda mais difícil definir a fronteira que separa o corporativo do privado.
Se em um passado recente felicidade era um tema que pouco importava para muitas organizações, hoje, com os ambientes de trabalho cada vez mais complexos e desafiadores, e com a crescente competitividade e acirrada disputa por talentos, tornou-se pauta obrigatória nas mesas de RHs, diretores e presidentes de empresas.
Não há outro caminho. Só vão se sobressair nesse cenário as empresas que contarem com equipes de alta performance, trabalhando de forma alinhada e coesa. Dessa forma, temos a missão de conciliar as aspirações pessoais dos nossos funcionários com os objetivos e metas organizacionais, e proporcionar ambientes de trabalho positivos, que fomentem a criação de relações de confiança e de cooperação.
Na Serasa Experian, há muito não falamos mais de gestão do clima organizacional, pois acreditamos que esse conceito deixa de lado justamente o propósito e o significado que as pessoas encontram naquilo que fazem todos os dias. Falamos em felicidade e colocamos nosso discurso em prática.
Há 18 meses, desenvolvemos e implantamos internamente uma metodologia que permite mensurar a felicidade dos profissionais em três esferas: na empresa como um todo, na área em que atuam e com o líder ao qual respondem.
A pesquisa é aplicada em uma amostra da população. Trimestralmente 50% da empresa é convidada a participar, respondendo a um questionário extremamente objetivo. São apenas três perguntas às quais os funcionários atribuem uma nota de zero a dez. O diferencial reside na análise qualitativa. Caso queiram, as pessoas podem comentar as suas respostas, e isso nos permite evoluir muito na gestão do ambiente de trabalho, endereçando e corrigindo rapidamente quaisquer desvios e também investindo mais naquilo que está dando certo.
Os resultados têm sido bastante positivos. A média geral da felicidade na empresa passa de oito, em uma escala de zero a dez, e se mantém estável desde a primeira edição da pesquisa. A adesão também é alta, sempre ultrapassando os 50% de participação. Fruto das ações que as pessoas percebem no dia a dia em decorrência da pesquisa.
Mas isso só é possível com o apoio da liderança. É papel dos líderes envolver as pessoas e fazer com que, de fato, se sintam parte da organização, sejam eles líderes de um pequeno time ou de uma grande organização multinacional. Não há desempenho diferenciado em times desengajados ou desmotivados. Ao contrário, pessoas felizes são mais dedicadas, mais criativas, demonstram maior resiliência, têm mais energia e se mantêm produtivas por muito mais tempo. Existe uma relação direta e comprovada entre a felicidade dos profissionais, a satisfação dos clientes e os resultados de negócio.
Felicidade é uma questão bastante subjetiva e, como tal, permite diferentes interpretações. No contexto corporativo, felicidade não é a ausência de tristeza ou de dificuldades, nem um estado de otimismo exacerbado, mas a existência de processos capazes de criar valor para todos os públicos com os quais a empresa interage. É a existência de uma visão clara e realista do presente e, porque não, otimista, do futuro que pretendemos conquistar tanto individual como coletivamente. É o respeito e a valorização das pessoas, a excelência no atendimento ao cliente e a consciência de que responsabilidade social deve permear todos os processos da organização.
Empresas que apoiam os profissionais na descoberta de suas potencialidades, que os desafiam constantemente, que proporcionam oportunidades para que possam se desenvolver e os ajudam a entender a importância e impacto de seus trabalhos são as que vão dispor de times com paixão pelo que fazem e com energia o suficiente para levá-las ao próximo patamar, seja ele qual for.
Hoje, estamos convictos de que não existe forma mais clara e objetiva de preservar a confiança e prover sentido do que enfatizar que buscamos a felicidade dos nossos profissionais no trabalho e, acima de tudo, colocar esse discurso em prática.
*Marília Silvério é gerente corporativa de comunicação interna e cultura organizacional da Serasa Experian
Revista Você RH
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Mães e pais devem confiar em si e no filho nos primeiros dias dele na escola
Na próxima semana, a maioria dos estudantes brasileiros retoma sua rotina. Depois de um bom período de férias, alguns deles já começam a sentir falta da escola, outros nem tanto. O certo é que é preciso estudar.
Muitas crianças vão iniciar sua vida escolar, um evento que tem ocorrido cada vez mais cedo. A idade delas varia de um ano e meio a dois, ou até menos. Esse fato é muito importante na vida delas, que começam uma nova etapa em seu conhecimento do mundo, indo além dos domínios da família.
Elas ainda não compreendem bem o que é ir para a escola, mesmo que tenham um irmão mais velho. Só vão saber o que é quando passarem a frequentá-la. Nada como vivenciar algo para se ter noção do que se trata.
Embora importante, positiva e necessária, na maioria das vezes essa novidade não é fácil para os pequenos. O novo assusta, ainda mais quando significa sair de um ambiente protegido para um desconhecido, em que há a noção do quanto se é frágil e dependente do outro. Para eles é difícil ficar longe de seu cuidador, como se ficasse longe de uma parte de si.
Do mesmo modo, não é fácil para o cuidador, principalmente as mães, ficar longe deles, por mais curto que seja o período. Surge o sentimento de que os abandonam e de insegurança sobre qual será a conduta da escola, mesmo conhecendo-a de antemão. Em sua maioria, essas crianças são quase bebês, sem defesa alguma. Sentem que precisam protegê-las. O que é verdade.
E assim, mãe e filho, cada um ao seu modo, compartilham de sentimentos parecidos, que se completam e se reforçam.
No momento de deixar o filho na escola, fica difícil para as mães irem embora diante de seu olhar assustado e, às vezes, desesperado devido à iminência de ficar só. O que não é verdade.
Ele não está sendo deixado para trás ou sendo abandonado. Apenas seguindo o curso da vida, num lugar qualificado para isso, onde continuará sendo cuidado. A criança começará a se distanciar de seus pais e a viver num ambiente mais próprio, compartilhando espaços e momentos com pessoas diferentes. Só assim poderá crescer e se desenvolver, enfrentando novos desafios. Sendo o principal deles o de começarem a se virar sozinhos e a estabelecer novos relacionamentos.
Algumas pessoas consideram que o fato de a criança resistir a ficar na escola é culpa da mãe. Mais uma para elas carregarem. Algumas podem até dificultar o processo de adaptação, mas não se pode perder de vista que, para a criança, é difícil mesmo esse momento. O que, de certo modo, é sábio – quando se chega num ambiente muito diferente, é comum o indivíduo ficar meio ressabiado. Afinal, é o desconhecido.
Para haver tranquilidade, as mamães devem conhecer muito bem a escola em que vão colocar o filho – nem todas são adequadas e nenhuma vai de encontro com suas exigências. Elas precisam tirar dúvidas no momento que surgirem e aproveitar o tempo de adaptação praticado pelas escolas para observar e questionar o que não é compreendido. Mas, acima de tudo, é preciso confiar.
Confiar em si, em sua capacidade de ficar longe do filho e sem culpa. Confiar nele, na possibilidade de enfrentar o crescimento. E na escola, no quanto ela é capaz de cuidar bem do pequeno. Ouvindo suas orientações sobre, às vezes, deixá-lo chorando (ela sabe que, passado um tempo, as crianças choram só na presença da mãe).
Esse momento não é fácil. No entanto, é importante para todos. Só assim haverá crescimento.
Boa volta às aulas!
Fonte: O Globo Ana Cássia Maturano em Dicas para os pais.
Muitas crianças vão iniciar sua vida escolar, um evento que tem ocorrido cada vez mais cedo. A idade delas varia de um ano e meio a dois, ou até menos. Esse fato é muito importante na vida delas, que começam uma nova etapa em seu conhecimento do mundo, indo além dos domínios da família.
Elas ainda não compreendem bem o que é ir para a escola, mesmo que tenham um irmão mais velho. Só vão saber o que é quando passarem a frequentá-la. Nada como vivenciar algo para se ter noção do que se trata.
Embora importante, positiva e necessária, na maioria das vezes essa novidade não é fácil para os pequenos. O novo assusta, ainda mais quando significa sair de um ambiente protegido para um desconhecido, em que há a noção do quanto se é frágil e dependente do outro. Para eles é difícil ficar longe de seu cuidador, como se ficasse longe de uma parte de si.
Do mesmo modo, não é fácil para o cuidador, principalmente as mães, ficar longe deles, por mais curto que seja o período. Surge o sentimento de que os abandonam e de insegurança sobre qual será a conduta da escola, mesmo conhecendo-a de antemão. Em sua maioria, essas crianças são quase bebês, sem defesa alguma. Sentem que precisam protegê-las. O que é verdade.
E assim, mãe e filho, cada um ao seu modo, compartilham de sentimentos parecidos, que se completam e se reforçam.
No momento de deixar o filho na escola, fica difícil para as mães irem embora diante de seu olhar assustado e, às vezes, desesperado devido à iminência de ficar só. O que não é verdade.
Ele não está sendo deixado para trás ou sendo abandonado. Apenas seguindo o curso da vida, num lugar qualificado para isso, onde continuará sendo cuidado. A criança começará a se distanciar de seus pais e a viver num ambiente mais próprio, compartilhando espaços e momentos com pessoas diferentes. Só assim poderá crescer e se desenvolver, enfrentando novos desafios. Sendo o principal deles o de começarem a se virar sozinhos e a estabelecer novos relacionamentos.
Algumas pessoas consideram que o fato de a criança resistir a ficar na escola é culpa da mãe. Mais uma para elas carregarem. Algumas podem até dificultar o processo de adaptação, mas não se pode perder de vista que, para a criança, é difícil mesmo esse momento. O que, de certo modo, é sábio – quando se chega num ambiente muito diferente, é comum o indivíduo ficar meio ressabiado. Afinal, é o desconhecido.
Para haver tranquilidade, as mamães devem conhecer muito bem a escola em que vão colocar o filho – nem todas são adequadas e nenhuma vai de encontro com suas exigências. Elas precisam tirar dúvidas no momento que surgirem e aproveitar o tempo de adaptação praticado pelas escolas para observar e questionar o que não é compreendido. Mas, acima de tudo, é preciso confiar.
Confiar em si, em sua capacidade de ficar longe do filho e sem culpa. Confiar nele, na possibilidade de enfrentar o crescimento. E na escola, no quanto ela é capaz de cuidar bem do pequeno. Ouvindo suas orientações sobre, às vezes, deixá-lo chorando (ela sabe que, passado um tempo, as crianças choram só na presença da mãe).
Esse momento não é fácil. No entanto, é importante para todos. Só assim haverá crescimento.
Boa volta às aulas!
Fonte: O Globo Ana Cássia Maturano em Dicas para os pais.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Vai passar o carnaval no Rio, então não perca o roteiro das feijoadas carnavalescas.
Está aberta a temporada de feijoadas na cidade. Além dos ensaios de Carnaval, o início do ano é época tradicional para se comer o prato, acompanhado muitas vezes por animadas rodas de samba. Com cerca de um século de existência, a mistura de feijão preto e carnes como lombo, linguiça e pé de porco, é centro das atenções em eventos de hotéis de luxo, barracões de escolas de samba, bares e restaurantes. Para aproveitar melhor o calendário, listamos abaixo os almoços em que a estrela é a feijoada.
Botequim Informal
No bar com 12 filiais espalhadas pela cidade, a feijoada completa será oferecida durante todos os dias de folia. Fumegante, o feijão chega à mesa em caldeirão de barro, misturado ao lombo, carne seca, toucinho e paio.
Onde: Rua Visconde de Caravelas, 123, Botafogo, tel. 2537-2164. Durante todo o carnaval. R$ 48,50 (para duas pessoas). Confira aqui o endereço de outras filiais.
Feijoada do Amaral
Com 35 anos de existência, é uma das mais concorridas da cidade - e caras, tendo à frente o empresário Ricardo Amaral. Em 2012, acontece no Jockey Club com apresentações do DJ Zé Pedro, do cantor Elymar Santos, a Orquestra Fina-Flor e o bloco Cacique de Ramos.
Onde: Praça Santos Dumont, 31, Tribuna C, Gávea, tel. 2554-5782. Sábado (18), 14h30. R$ 500,00.
Nuth
Quem for à boate da Barra no sábado de carnaval (18), poderá degustar o feijão ao som da bateria da Imperatriz Leopoldinense e do Batuque Digital. Realizado há 10 anos pelo clube noturno, terá mais três DJs convidados.
Onde: Avenida Armando Lombardi, 999, Barra, tel. 3575-6850. Sábado (18), das 15h às 3h. Mulheres: R$ 100,00. Homens: R$ 150,00.
Pink Fleet
O iate de luxo pertencente ao empresário Eike Batista é uma excelente opção para quem deseja fazer um programa diferente Lá, a feijoada é servida enquanto o barco navega suavemente pelas águas da Baía de Guanabara e passa próximo a pontos deslumbrantes, entre eles o Pão de Açúcar e o Aterro do Flamengo.
Onde: Embarque feito na Marina da Glória. Avenida Infante Dom Henrique, s/n, tel. 2548-4232. Sábado (18), de 12h até 17h. R$ 290,00.
Q
Durante o mês de fevereiro, o gastrobar da Dias Ferreira vai servir o prato aos sábados e domingos. Preparada com embutidos artesanais da delicatessen Pavelka, a feijoada tem como entradas linguicinhas aperitivas e caldinho de feijão. Misturada ao feijão, pedaços macios de lombo, costela, carne seca, paio e linguiça.
Onde: Rua Dias Ferreira, 617, Leblon, tel. 2113-0564 e 2113-0594. Em fevereiro, aos sábados e domingos. R$ 85,00 (para duas pessoas).
Hotéis
Caesar Park
No hotel de Ipanema, o prato é servido há 21 anos. Para 2012, serão organizadas três feijoadas, todas com apresentação da bateria da Beija-Flor. A primeira acontece no sábado (11) e a segunda, dia 18. Com preparo sob responsabilidade do chef Helbert Moura, o prato servido terá 11 tipos de carne servidas separadamente. E, quem aguentar, ainda terá a disposição 20 opções de sobremesas, algumas tipicamente brasileiras, incluindo pé-de-moleque, bolo de aipim e cocada.
Onde: Avenida Vieira Souto, 460, Ipanema, tel. 2525-2516. Sábado (11), R$ 250,00; Sábado (18), 320,00 e Sábado (25), R$ 250,00. Nas três datas, de 12h30 as 16h30.
Rio Othon Palace
Com a bateria furiosa do Salgueiro e sua rainha, Viviane Araújo, como atrações, serve sua feijoada em duas datas. Além da apresentação da escola, haverá rodas de samba e DJ para tocar marchinhas antigas. Estão incluídas bebidas como refrigerantes, cerveja e caipirinha, além de sobremesas brasileiras.
Onde: Avenida Atlântica, 3264, 3º andar, Copacabana, tel. 2106-1671 e 2106-167. Sábado (18), R$ 270,00 e sábado (25), R$ 130,00 mais 10% de taxa de serviço. Nas duas datas o horário será de 13h às 19h.
Sheraton Barra
Feijoada combina com samba. No hotel da Barra, o prato preparado pelo chef José Ribeiro será servido no sábado de carnaval (18), durante apresentação da bateria da Unidos de Vila Isabel. Para beber, além de cerveja, há caipirinhas preparadas com a cachaça Magnífica. Para quem achar o prato pesado, há opções light e vegetariana.
Onde: Avenida Lúcio Costa, 3 150, Barra, tel. 3139-8029 e 3139-8019. Sábado (18), das 13h às 17h. R$ 250,00
Sheraton São Conrado
Preparada pelo chef Stefan Bunning, a feijoada será oferecida ao lado da piscina e com bela vista para o mar. Para animar o público, a bateria da tradicional Portela, além de apresentações de chorinho. No buffet, 30 opções de prato, além de uma feijoada light, feita com legumes, arroz integral e peito de frango grelhado. Na lista de doces, cuscuz , cocada, quindim, brigadeiro e pudim de leite.
Onde: Avenida Niemeyer 121, São Conrado, tel. 2529-1106. Sábado (11), R$ 89,00 e sábado (18), R$ 119,00. Nas duas datas, o horário é de 12h30 a 16h30.
Windsor Atlântica
Servido no restaurante instalado no quarto andar do hotel, o feijão saboroso tem como pano de fundo a bela vista da orla de Copacabana. Durante o almoço, que acontece no sábado (18), também serão servidos pratos quentes e o cliente terá um buffet de saladas à disposição.
Onde: Avenida Atlântica, 1020, Copacabana, tel. 2195-7800. Sábado (18), de 12h30 até 17h. R$ 90,00.
Escolas de samba
Mangueira
Endereço consagrado por grandes apresentações da escola, a quadra da verde-rosa tem sua farra gastronômica sempre segundo sábado do mês. No dia em que é servida, atrai até 1 500 pessoas para provar o prato preparado pelo chef Raul César Novaes.
Onde: Rua Visconde de Niterói 1 072, Mangueira, tel. 7829-2571. Sábado (11), das 13h às 17h. Entrada: R$ 25,00 e o prato da feijoada, R$ 15,00.
Mocidade Independente de Padre Miguel
Com enredo Por ti, Portinari: Rompendo a tela, à Realidade, sobre o pintor Cândido Portinari, a agremiação realiza sua feijoada no segundo domingo do mês. A próxima acontece dia 12.
Onde: Rua Coronel Tamarindo, 38 em Padre Miguel, tel. 3332-5823. Domingo (12), de 13h as 17h. R$ 5,00 de entrada para homens e a feijoada sai a R$ 10,00.
Renascer de Jaracarepaguá
Na agremiação da Zona Oeste, que tem como enredo "O Artista da Alegria Dá o Tom na Folia", a feijoada é sempre realizada na quadra no último sábado do mês.
Onde: Avenida Nelson Cardoso, 82, Largo do Tanque, tel. 2423-4003. Sábado (25), R$ 10,00.
Salgueiro
Há cinco anos a escola da Zona Norte realiza feijoadas em sua quadra, sempre no segundo domingo do mês. O próximo, dia 12, terá apresentação do grupo Terno de Cambraia e o encerramento da Furiosa, como é conhecida a bateria da escola.
Onde: Rua Silva Teles, 104, Andaraí, tel. 2238-0389. Sábado (12), das 13h às 17h. R$ 30,00.
Vila Isabel
Além da apresentação que realiza durante a feijoada do hotel Sheraton, a escola carioca também tem a sua própria versão do prato. Chamada de Feijão do Noel, é uma homenagem ao compositor Noel Rosa, que viveu no bairro. A próxima está marcada para o sábado (11), com show do bamba Arlindo Cruz e muito samba de raiz cantado por Andréia Caffé.
Onde: Avenida 28 de Setembro, 382, tel. 3578-0077. Sábado (11), das 13h às 17h. Entrada: R$ 15,00 e mesa com quatro lugares, R$ 40,00.
Fonte Revista VEJA RIO
Por que as crianças estão cada vez mais infelizes?
Especialistas em saúde infantil chamam a atenção para uma epidemia silenciosa que afeta a saúde mental das crianças que, ainda pequenas, precisam lidar com as pressões da sociedade moderna.
Uma em cada onze crianças com mais de oito anos de idade está infeliz, segundo um estudo divulgado em janeiro deste ano pela Children’s Society, organização centenária de proteção infantil. Apesar de a pesquisa trazer à tona uma realidade das crianças entre 8 e 16 anos do Reino Unido, especialistas brasileiros em saúde infantil afirmam que esse não é um problema exclusivo das crianças britânicas. No Brasil, a realidade é parecida. Ana Maria Escobar, pediatra do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, em São Paulo, conduziu uma pesquisa com os pais de cerca de 900 crianças de 5 a 9 anos que estudavam em escolas particulares e estaduais.
De acordo com os resultados do estudo, os pais disseram que 22,7% das crianças apresentavam ansiedade; 25,9% tinham problemas de atenção e 21,7% problemas de comportamento. "No início do estudo, esperava encontrar queixas como asma, mas não ansiedade", diz Ana. Apenas 8% tinham problemas respiratórios e 6,9% eram portadoras de asma. O estudo foi concluído em 2005, mas Ana Maria acredita que se a pesquisa fosse feita hoje, "os níveis de ansiedade e de problemas de comportamento certamente seriam ainda mais altos."
Mais do que infelizes, as crianças brasileiras também estão ansiosas, estressadas, deprimidas e sobrecarregadas. "Elas estão desconfortáveis com a infância. Esse desconforto aparece de várias formas: como irritabilidade, desatenção, tristeza e falta de ânimo. Muitas vezes, é um comportamento incomum em relação à idade delas", diz Ivete Gattás, coordenadora da Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Saul Cypel, membro do departamento de Pediatria do Comportamento e Desenvolvimento da Sociedade Brasileira de Pediatria, traz dados preocupantes: "A impressão que eu tenho é a de que o número de crianças com queixas comportamentais cresceu muito nesses últimos dez anos." Neste período, segundo Cypel, houve uma transformação do perfil da clínica: se antes as queixas sobre o comportamento infantil correspondiam a 20% dos pacientes, agora são responsáveis por 85% do total de seu consultório de neurologia.
Com uma agenda recheada de atividades extracurriculares, que vão desde aulas de idiomas como inglês e mandarim até as aulas clássicas como balé e futebol, as crianças estão sem tempo para se divertir e descansar, acreditam os médicos. Segundo Cypel, a antecipação de atividades para as quais o indivíduo não está preparado pode desencadear o stress tóxico, que ocorre quando há uma estimulação constante do sistema de resposta ao stress (veja quadro abaixo), trazendo prejuízos futuros para as crianças.
"A família introduz uma série de treinamentos, atividades e línguas novas. Na medida em que a criança não consegue dar conta disso, a sensação de fracasso se torna frequente", explica Cypel. "Com o stress tóxico, ao invés de favorecer o desenvolvimento da criança, os pais acabam limitando-a e desmotivando-a." Entre as consequências diretas estão a diminuição da autoestima, alterações alimentares (excesso ou falta de apetite), problemas de sono e apatia.
No início deste ano, a Academia Americana de Pediatria lançou um documento que chama a atenção para as evidências de impactos negativos do stress tóxico, com prejuízos posteriores para a aprendizagem, comportamento, desenvolvimento físico e mental. O relatório também sugere que parte dos problemas mentais que ocorrem nos adultos devem ser vistas como transtornos de desenvolvimento que tiveram início na infância.
Ana Maria Escobar acrescenta que a exposição à realidade violenta do Brasil também pode contribuir para uma sensação de ansiedade nas crianças. "Antes, raramente uma criança ouvia falar de um ato de violência. Hoje, elas ficam mais confinadas e têm medo de assaltos e sequestros. Isso com certeza provoca maior stress e ansiedade, além de maior possibilidade de se sentir infeliz, principalmente entre aquelas que vivem nas grandes cidades brasileiras", diz..
Sinais — O problema é agravado pelo fato de que muitos pais demoram a perceber o que se passa com seus filhos. "Eles acham que o comportamento das crianças é normal", diz Ana Maria Escobar. Além disso, a dificuldade em administrar o tempo que dedicam à vida profissional e aos filhos muitas vezes impede que os pais percebam os sinais de que algo está errado.
"Muitos pais priorizam a profissão e terceirizam a criação dos filhos. Mas é preciso se questionar: quanto tempo eu passo com meus filhos? Quem são as pessoas que estão criando eles?", afirma o psiquiatra Francisco Assumpção, da Sociedade Brasileira de Psiquiatria.
Essa é uma preocupação constante na vida da publicitária Flora*, que tem dois filhos, Cecília* e Celso*, de 7 e 9 anos, respectivamente. As crianças, que estudam em período integral na escola, têm uma rotina bastante atribulada. Celso faz aula de inglês, futebol, tênis e deve começar a aprender uma luta neste ano. Cecília também faz inglês, natação e deve começar a praticar ginástica olímpica. "Primeiro, experimentamos uma aula de inglês uma vez por semana, depois colocamos os dois em um esporte", afirma. "Tem que sentir muito como a criança está lidando com isso. Observar o comportamento para ver se ela está cansada e se o rendimento na escola começa a diminuir", diz. Flora se preocupou em contratar uma professora de inglês para que as crianças tivessem aulas em casa. Para ela, é melhor opção para evitar o stress desnecessário no trânsito.
Apesar da preocupação, Flora fez alterações na rotina de Cecília. A pequena começou a apresentar sinais de stress. Para descobrir o problema, Flora foi investigar com a filha e percebeu que a natação estava causando o problema. "Ela chorava muito e quando acordava dizia que não queria ir para a escola. Estava diferente do que ela é normalmente", disse. Flora tirou a filha da natação no ano passado, mas ela já pediu para voltar esse ano, segundo a mãe, que vai observar o desempenho da criança.
Quando é depressão – De acordo com Ivete Gattás, da Unifesp, a depressão afeta 2% das crianças e até 5% dos adolescentes. Sabe-se ainda que a depressão na infância e na adolescência pode influenciar negativamente o desenvolvimento e o desempenho escolar, além de aumentar o risco de abuso de substâncias químicas e de suicídio.
Somente 50% dos adolescentes com depressão recebem o diagnóstico antes de se tornarem adultos. Gattás explica que o transtorno depressivo pode surgir a partir de vários fatores: predisposição genética e associação de fatores ambientais, que podem ser desencadeados pelo stress do dia a dia, sensação de vulnerabilidade, restrição ao desempenho da criança e sobrecarrega de atividades. (Veja a lista de sintomas). "Para caracterizar depressão, a criança deve apresentar mais de cinco sintomas, durante um mês", afirma Gattás.
Terapia — Estudos já mostraram que a ansiedade durante a infância, se não contornada, pode se transformar em depressão durante a vida adulta. Por isso é necessário prevenir qualquer sintoma, mesmo que ele não seja o suficiente para o diagnóstico da depressão. (Veja como evitar o stress infantil.)
Carla*, de oito anos, começou a ter problemas aos cinco. Em seus desenhos, ela sempre aparecia chorando, enquanto suas amigas sorriam. “Ela é muito preocupada com a imagem que os outros têm dela. Se ela percebe que não corresponde ao que os outros esperam, ela se chateia muito”, diz a arquiteta Patrícia*, mãe de Carla.
“Tentamos conversar com ela, mas ela não revelava o que estava acontecendo. Descobri que as crianças na escola faziam um clubinho e que a Carla era sempre excluída”, diz Patrícia. O problema foi solucionado com a troca de sala. A pediatra de Carla indicou um especialista em saúde mental, para prevenir e ajudar a garota a entender a própria ansiedade. Há três anos, ela faz análise uma vez por semana. “Às vezes, ela me pergunta o que eu acho sobre determinado assunto e eu fico em dúvida sobre o que responder. E ela diz: ‘já sei, vou levar isso pra analista’”, conta a mãe.
Para Gattás, o pediatra deve ser treinado na área de saúde mental para diagnosticar problemas da infância e adolescência. “Ele acompanha a criança durante o crescimento e tem uma importância fundamental na orientação dos pais”, diz. “Se não houver uma mudança na forma como os pais lidam com seus filhos, vamos ver um aumento da frequência dos quadros psiquiátricos, mas transtornos de ansiedade e falta de perspectivas para as novas gerações”, diz Assumpção.
*Os nomes das mães e das crianças utilizados nesta reportagem foram trocados com o objetivo de preservar a privacidade dos personagens.
Revista Veja.
Uma em cada onze crianças com mais de oito anos de idade está infeliz, segundo um estudo divulgado em janeiro deste ano pela Children’s Society, organização centenária de proteção infantil. Apesar de a pesquisa trazer à tona uma realidade das crianças entre 8 e 16 anos do Reino Unido, especialistas brasileiros em saúde infantil afirmam que esse não é um problema exclusivo das crianças britânicas. No Brasil, a realidade é parecida. Ana Maria Escobar, pediatra do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, em São Paulo, conduziu uma pesquisa com os pais de cerca de 900 crianças de 5 a 9 anos que estudavam em escolas particulares e estaduais.
De acordo com os resultados do estudo, os pais disseram que 22,7% das crianças apresentavam ansiedade; 25,9% tinham problemas de atenção e 21,7% problemas de comportamento. "No início do estudo, esperava encontrar queixas como asma, mas não ansiedade", diz Ana. Apenas 8% tinham problemas respiratórios e 6,9% eram portadoras de asma. O estudo foi concluído em 2005, mas Ana Maria acredita que se a pesquisa fosse feita hoje, "os níveis de ansiedade e de problemas de comportamento certamente seriam ainda mais altos."
Mais do que infelizes, as crianças brasileiras também estão ansiosas, estressadas, deprimidas e sobrecarregadas. "Elas estão desconfortáveis com a infância. Esse desconforto aparece de várias formas: como irritabilidade, desatenção, tristeza e falta de ânimo. Muitas vezes, é um comportamento incomum em relação à idade delas", diz Ivete Gattás, coordenadora da Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Saul Cypel, membro do departamento de Pediatria do Comportamento e Desenvolvimento da Sociedade Brasileira de Pediatria, traz dados preocupantes: "A impressão que eu tenho é a de que o número de crianças com queixas comportamentais cresceu muito nesses últimos dez anos." Neste período, segundo Cypel, houve uma transformação do perfil da clínica: se antes as queixas sobre o comportamento infantil correspondiam a 20% dos pacientes, agora são responsáveis por 85% do total de seu consultório de neurologia.
Com uma agenda recheada de atividades extracurriculares, que vão desde aulas de idiomas como inglês e mandarim até as aulas clássicas como balé e futebol, as crianças estão sem tempo para se divertir e descansar, acreditam os médicos. Segundo Cypel, a antecipação de atividades para as quais o indivíduo não está preparado pode desencadear o stress tóxico, que ocorre quando há uma estimulação constante do sistema de resposta ao stress (veja quadro abaixo), trazendo prejuízos futuros para as crianças.
"A família introduz uma série de treinamentos, atividades e línguas novas. Na medida em que a criança não consegue dar conta disso, a sensação de fracasso se torna frequente", explica Cypel. "Com o stress tóxico, ao invés de favorecer o desenvolvimento da criança, os pais acabam limitando-a e desmotivando-a." Entre as consequências diretas estão a diminuição da autoestima, alterações alimentares (excesso ou falta de apetite), problemas de sono e apatia.
No início deste ano, a Academia Americana de Pediatria lançou um documento que chama a atenção para as evidências de impactos negativos do stress tóxico, com prejuízos posteriores para a aprendizagem, comportamento, desenvolvimento físico e mental. O relatório também sugere que parte dos problemas mentais que ocorrem nos adultos devem ser vistas como transtornos de desenvolvimento que tiveram início na infância.
Ana Maria Escobar acrescenta que a exposição à realidade violenta do Brasil também pode contribuir para uma sensação de ansiedade nas crianças. "Antes, raramente uma criança ouvia falar de um ato de violência. Hoje, elas ficam mais confinadas e têm medo de assaltos e sequestros. Isso com certeza provoca maior stress e ansiedade, além de maior possibilidade de se sentir infeliz, principalmente entre aquelas que vivem nas grandes cidades brasileiras", diz..
Sinais — O problema é agravado pelo fato de que muitos pais demoram a perceber o que se passa com seus filhos. "Eles acham que o comportamento das crianças é normal", diz Ana Maria Escobar. Além disso, a dificuldade em administrar o tempo que dedicam à vida profissional e aos filhos muitas vezes impede que os pais percebam os sinais de que algo está errado.
"Muitos pais priorizam a profissão e terceirizam a criação dos filhos. Mas é preciso se questionar: quanto tempo eu passo com meus filhos? Quem são as pessoas que estão criando eles?", afirma o psiquiatra Francisco Assumpção, da Sociedade Brasileira de Psiquiatria.
Essa é uma preocupação constante na vida da publicitária Flora*, que tem dois filhos, Cecília* e Celso*, de 7 e 9 anos, respectivamente. As crianças, que estudam em período integral na escola, têm uma rotina bastante atribulada. Celso faz aula de inglês, futebol, tênis e deve começar a aprender uma luta neste ano. Cecília também faz inglês, natação e deve começar a praticar ginástica olímpica. "Primeiro, experimentamos uma aula de inglês uma vez por semana, depois colocamos os dois em um esporte", afirma. "Tem que sentir muito como a criança está lidando com isso. Observar o comportamento para ver se ela está cansada e se o rendimento na escola começa a diminuir", diz. Flora se preocupou em contratar uma professora de inglês para que as crianças tivessem aulas em casa. Para ela, é melhor opção para evitar o stress desnecessário no trânsito.
Apesar da preocupação, Flora fez alterações na rotina de Cecília. A pequena começou a apresentar sinais de stress. Para descobrir o problema, Flora foi investigar com a filha e percebeu que a natação estava causando o problema. "Ela chorava muito e quando acordava dizia que não queria ir para a escola. Estava diferente do que ela é normalmente", disse. Flora tirou a filha da natação no ano passado, mas ela já pediu para voltar esse ano, segundo a mãe, que vai observar o desempenho da criança.
Quando é depressão – De acordo com Ivete Gattás, da Unifesp, a depressão afeta 2% das crianças e até 5% dos adolescentes. Sabe-se ainda que a depressão na infância e na adolescência pode influenciar negativamente o desenvolvimento e o desempenho escolar, além de aumentar o risco de abuso de substâncias químicas e de suicídio.
Somente 50% dos adolescentes com depressão recebem o diagnóstico antes de se tornarem adultos. Gattás explica que o transtorno depressivo pode surgir a partir de vários fatores: predisposição genética e associação de fatores ambientais, que podem ser desencadeados pelo stress do dia a dia, sensação de vulnerabilidade, restrição ao desempenho da criança e sobrecarrega de atividades. (Veja a lista de sintomas). "Para caracterizar depressão, a criança deve apresentar mais de cinco sintomas, durante um mês", afirma Gattás.
Terapia — Estudos já mostraram que a ansiedade durante a infância, se não contornada, pode se transformar em depressão durante a vida adulta. Por isso é necessário prevenir qualquer sintoma, mesmo que ele não seja o suficiente para o diagnóstico da depressão. (Veja como evitar o stress infantil.)
Carla*, de oito anos, começou a ter problemas aos cinco. Em seus desenhos, ela sempre aparecia chorando, enquanto suas amigas sorriam. “Ela é muito preocupada com a imagem que os outros têm dela. Se ela percebe que não corresponde ao que os outros esperam, ela se chateia muito”, diz a arquiteta Patrícia*, mãe de Carla.
“Tentamos conversar com ela, mas ela não revelava o que estava acontecendo. Descobri que as crianças na escola faziam um clubinho e que a Carla era sempre excluída”, diz Patrícia. O problema foi solucionado com a troca de sala. A pediatra de Carla indicou um especialista em saúde mental, para prevenir e ajudar a garota a entender a própria ansiedade. Há três anos, ela faz análise uma vez por semana. “Às vezes, ela me pergunta o que eu acho sobre determinado assunto e eu fico em dúvida sobre o que responder. E ela diz: ‘já sei, vou levar isso pra analista’”, conta a mãe.
Para Gattás, o pediatra deve ser treinado na área de saúde mental para diagnosticar problemas da infância e adolescência. “Ele acompanha a criança durante o crescimento e tem uma importância fundamental na orientação dos pais”, diz. “Se não houver uma mudança na forma como os pais lidam com seus filhos, vamos ver um aumento da frequência dos quadros psiquiátricos, mas transtornos de ansiedade e falta de perspectivas para as novas gerações”, diz Assumpção.
*Os nomes das mães e das crianças utilizados nesta reportagem foram trocados com o objetivo de preservar a privacidade dos personagens.
Revista Veja.
Como chegamos a este ponto?
É inaceitável que policiais militares transformem os cidadãos em reféns. A anarquia nos quartéis deve ser combatida com firmeza pelas autoridades.
Às vésperas do Carnaval, estabeleceu-se um ambiente de anarquia nos quartéis das polícias militares, mais adequado a blocos que invadem as ruas do que a corporações onde o respeito à lei, à ordem e à hierarquia deve ser a norma. Até o fechamento desta edição, greves de policiais militares estavam em curso na Bahia e no Rio de Janeiro. Também havia sinais de que o movimento poderia se alastrar para Alagoas, Distrito Federal e Espírito Santo. Em 2010 e no começo do ano, já houvera paralisações de PMs no Maranhão, no Ceará, em Rondônia e no Piauí. Agora, foi necessário chamar o Exército porque a baderna transbordou dos quartéis. Em Salvador, o número de homicídios triplicou em uma semana.
Repete-se, assim, um cenário que tem ocorrido desde, pelo menos, 1997. Naquele ano, uma greve selvagem começou em Minas Gerais, cuja polícia era vista como modelo, e espraiou-se por vários Estados. O texto da Constituição é cristalino na proibição à “sindicalização” e à “greve” entre os militares. Por que então esse tipo de movimento – que só pode ser qualificado como motim – vem se repetindo com frequência preocupante?
Há três motivos centrais para isso. O primeiro é o comportamento delinquente de alguns policiais, constatado agora na Bahia. Palavras de incitação ao vandalismo foram flagradas na boca do líder do movimento da PM baiana, Marco Prisco (leia mais sobre ele). Policiais sequestraram e incendiaram ônibus, interromperam o trânsito e aterrorizaram a população. A Polícia Federal descobriu a articulação de vários grevistas para estender o movimento ao Estado do Rio de Janeiro e, felizmente, líderes foram presos antes que o terror se espalhasse mais.
O segundo motivo é a politicagem em torno da questão. A presidente Dilma Rousseff acertou ao dizer que não deve haver anistia para “crimes contra a pessoa e a ordem pública”. Mas o governo Lula, de que ela fez parte, sancionou uma anistia a policiais militares e bombeiros insubordinados. O próprio ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a declarar, nas greves de 2001: “A Polícia Militar pode fazer greve. Todas as categorias de trabalhadores consideradas atividades essenciais só podem ser proibidas de fazer greve se tiverem também salário essencial”. Trata-se de um absurdo evidente – e Lula está longe de ter sido o único a explorar politicamente as greves policiais (leia mais sobre isso). A principal consequência do desleixo dos políticos é a falta de uma lei para regular as greves no setor público, quase 24 anos depois da promulgação da Constituição.
O terceiro motivo, que se soma à delinquência policial e à irresponsabilidade eleitoreira, é a leniência e a negligência com que os políticos brasileiros têm tratado a questão da segurança pública. Sucessivos governos foram incapazes de formular uma política nacional de segurança, que articulasse a ação da União e dos Estados – da qual as PMs e as polícias civis seriam importantes braços operacionais. No vácuo de uma política nacional, vicejam as propostas populistas e irrealistas, como a Proposta de Emenda Constitucional 300, a PEC, que tem galvanizado os grevistas por propor um piso salarial único para as PMs em todos os Estados (leia mais sobre isso). Todos estão de acordo que oficiais, sargentos, cabos e soldados devem ter uma remuneração adequada a uma profissão que implica cotidianamente riscos à vida. Mas a PEC 300, se aprovada, não seria a solução. Ela trata desiguais como iguais e arrebentaria as finanças estaduais.
As PMs são instituições com raízes na história do Brasil. Para funcionar bem, devem estar submetidas ao controle democrático da sociedade civil. Elas estão por trás de avanços recentes importantes na área de segurança pública, como as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), no Rio de Janeiro, cujo sucesso se tornou motivo de celebração. Seria uma pena que tais iniciativas fossem contaminadas por policiais que apelam para a
deliquência para que suas reivindicações sejam ouvidas. Para isolar esses maus policiais, é preciso que as autoridades ajam com severidade. Assim, não haverá espaço nos quartéis para a anarquia. Nos dias de Carnaval, a algazarra deve se limitar apenas ao ambiente alegre das escolas de samba e dos blocos de rua.
Fonte: Revista Época
Às vésperas do Carnaval, estabeleceu-se um ambiente de anarquia nos quartéis das polícias militares, mais adequado a blocos que invadem as ruas do que a corporações onde o respeito à lei, à ordem e à hierarquia deve ser a norma. Até o fechamento desta edição, greves de policiais militares estavam em curso na Bahia e no Rio de Janeiro. Também havia sinais de que o movimento poderia se alastrar para Alagoas, Distrito Federal e Espírito Santo. Em 2010 e no começo do ano, já houvera paralisações de PMs no Maranhão, no Ceará, em Rondônia e no Piauí. Agora, foi necessário chamar o Exército porque a baderna transbordou dos quartéis. Em Salvador, o número de homicídios triplicou em uma semana.
Repete-se, assim, um cenário que tem ocorrido desde, pelo menos, 1997. Naquele ano, uma greve selvagem começou em Minas Gerais, cuja polícia era vista como modelo, e espraiou-se por vários Estados. O texto da Constituição é cristalino na proibição à “sindicalização” e à “greve” entre os militares. Por que então esse tipo de movimento – que só pode ser qualificado como motim – vem se repetindo com frequência preocupante?
Há três motivos centrais para isso. O primeiro é o comportamento delinquente de alguns policiais, constatado agora na Bahia. Palavras de incitação ao vandalismo foram flagradas na boca do líder do movimento da PM baiana, Marco Prisco (leia mais sobre ele). Policiais sequestraram e incendiaram ônibus, interromperam o trânsito e aterrorizaram a população. A Polícia Federal descobriu a articulação de vários grevistas para estender o movimento ao Estado do Rio de Janeiro e, felizmente, líderes foram presos antes que o terror se espalhasse mais.
O segundo motivo é a politicagem em torno da questão. A presidente Dilma Rousseff acertou ao dizer que não deve haver anistia para “crimes contra a pessoa e a ordem pública”. Mas o governo Lula, de que ela fez parte, sancionou uma anistia a policiais militares e bombeiros insubordinados. O próprio ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a declarar, nas greves de 2001: “A Polícia Militar pode fazer greve. Todas as categorias de trabalhadores consideradas atividades essenciais só podem ser proibidas de fazer greve se tiverem também salário essencial”. Trata-se de um absurdo evidente – e Lula está longe de ter sido o único a explorar politicamente as greves policiais (leia mais sobre isso). A principal consequência do desleixo dos políticos é a falta de uma lei para regular as greves no setor público, quase 24 anos depois da promulgação da Constituição.
O terceiro motivo, que se soma à delinquência policial e à irresponsabilidade eleitoreira, é a leniência e a negligência com que os políticos brasileiros têm tratado a questão da segurança pública. Sucessivos governos foram incapazes de formular uma política nacional de segurança, que articulasse a ação da União e dos Estados – da qual as PMs e as polícias civis seriam importantes braços operacionais. No vácuo de uma política nacional, vicejam as propostas populistas e irrealistas, como a Proposta de Emenda Constitucional 300, a PEC, que tem galvanizado os grevistas por propor um piso salarial único para as PMs em todos os Estados (leia mais sobre isso). Todos estão de acordo que oficiais, sargentos, cabos e soldados devem ter uma remuneração adequada a uma profissão que implica cotidianamente riscos à vida. Mas a PEC 300, se aprovada, não seria a solução. Ela trata desiguais como iguais e arrebentaria as finanças estaduais.
As PMs são instituições com raízes na história do Brasil. Para funcionar bem, devem estar submetidas ao controle democrático da sociedade civil. Elas estão por trás de avanços recentes importantes na área de segurança pública, como as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), no Rio de Janeiro, cujo sucesso se tornou motivo de celebração. Seria uma pena que tais iniciativas fossem contaminadas por policiais que apelam para a
deliquência para que suas reivindicações sejam ouvidas. Para isolar esses maus policiais, é preciso que as autoridades ajam com severidade. Assim, não haverá espaço nos quartéis para a anarquia. Nos dias de Carnaval, a algazarra deve se limitar apenas ao ambiente alegre das escolas de samba e dos blocos de rua.
Fonte: Revista Época
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Crédito cresceu 19% e passou de R$ 2 trilhões em 2011 Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/credito-cresceu-19-passou-de-2-trilhoes-em-2011-3776092#ixzz1kgCCYp2w © 1996 - 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.
E as taxa de juros também fecharam o ano com valores maiores do que em 2010.
BRASÍLIA - O Brasil ultrapassou a marca de R$ 2 trilhões de crédito na economia no ano passado. Isso representa um crescimento de 19% sobre o ano anterior. A taxa de juros paga pelo tomador do empréstimo também aumentou. Segundo o Banco Central, o valor médio cobrado em todas as linhas de crédito era de 37,1% em dezembro do ano passado, cerca de 2,1 ponto percentual acima da taxa média do fim de 2010, que era de 35% ao ano.
Em dezembro, contudo, as taxas de juros recuaram em relação ao mês anterior, refletindo os recentes cortes da Selic. A taxa de juros do cheque especial caiu 0,3 pontos percentuais no mês passado para 188,1% ao ano. Mas no ano de 2011, essa modalidade de crédito – a mais cara de todas – ficou 17,4 pontos percentuais ainda mais alta.
O spread bancário – a diferença entre as taxas de captação e de aplicação do dinheiro – caiu 1,3 ponto percentual no mês passado para 26,9 pontos percentuais. No entanto, 2011 terminou com um spread 3,4 ponto percentual maior que no ano anterior
A expansão do volume de crédito no passado passado superou a previsão do BC, de uma lata de 17,5%. A concessão de crédito voltou a aumentar no segundo semestre depois que a autoridade monetária começou a diminuir a taxa básica de juros (Selic) e, principalmente, quando retirou as medidas conhecidas como “macroprudenciais” que travavam o crédito para conter a inflação.
- Ficou ligeiramente acima do previsto. O importante é olhar para dentro dos números. O crédito pessoas física que é para consumo tem se moderado - disse o chefe do departamento econômico do BC, Túlio Maciel.
A taxa de inadimplência caiu levemente no mês passado de 5,6% para 5,5%
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/credito-cresceu-19-passou-de-2-trilhoes-em-2011-3776092#ixzz1kgCOSktv
© 1996 - 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.
Fonte Jornal O Globo seção Economia.
BRASÍLIA - O Brasil ultrapassou a marca de R$ 2 trilhões de crédito na economia no ano passado. Isso representa um crescimento de 19% sobre o ano anterior. A taxa de juros paga pelo tomador do empréstimo também aumentou. Segundo o Banco Central, o valor médio cobrado em todas as linhas de crédito era de 37,1% em dezembro do ano passado, cerca de 2,1 ponto percentual acima da taxa média do fim de 2010, que era de 35% ao ano.
Em dezembro, contudo, as taxas de juros recuaram em relação ao mês anterior, refletindo os recentes cortes da Selic. A taxa de juros do cheque especial caiu 0,3 pontos percentuais no mês passado para 188,1% ao ano. Mas no ano de 2011, essa modalidade de crédito – a mais cara de todas – ficou 17,4 pontos percentuais ainda mais alta.
O spread bancário – a diferença entre as taxas de captação e de aplicação do dinheiro – caiu 1,3 ponto percentual no mês passado para 26,9 pontos percentuais. No entanto, 2011 terminou com um spread 3,4 ponto percentual maior que no ano anterior
A expansão do volume de crédito no passado passado superou a previsão do BC, de uma lata de 17,5%. A concessão de crédito voltou a aumentar no segundo semestre depois que a autoridade monetária começou a diminuir a taxa básica de juros (Selic) e, principalmente, quando retirou as medidas conhecidas como “macroprudenciais” que travavam o crédito para conter a inflação.
- Ficou ligeiramente acima do previsto. O importante é olhar para dentro dos números. O crédito pessoas física que é para consumo tem se moderado - disse o chefe do departamento econômico do BC, Túlio Maciel.
A taxa de inadimplência caiu levemente no mês passado de 5,6% para 5,5%
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/credito-cresceu-19-passou-de-2-trilhoes-em-2011-3776092#ixzz1kgCOSktv
© 1996 - 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.
Fonte Jornal O Globo seção Economia.
Vida saúdavel
Oi gente, comecei o 2012 com o pé direito, passei as festas com a minha família e fui a minha cidade maravilhosa para matar as saudades do lugar e das pessoas queridas e ainda mostrar para as minhas filhotas o lugar de onde eu vim, a cultura e a beleza.
Além disso, prometi, e estou cumprindo, melhorar a alimentação, não uma dieta estrita, mais comer de forma saudável e fazer exercícios, o que em uma semana já fez uma grande diferença, tanto nos quilinhos a menos como na energia que ganhei.
Bom ai segue uma nota do blog da Curves do Brasil (eu estou fazendo o mesmo na Argentina), beijos a todos e espero que lhes seja um grande incentivo. Os 40 aninhos não chegam sozinhos...
Trate a ansiedade e Emagreça
O ser humano, no geral, é ansioso por natureza. Vive pensando no que pode dar errado, seja em questões pessoais ou profissionais. O problema maior está quando a ansiedade deixa de ser um sentimento momentâneo, como, por exemplo, um ator de teatro, que sente um frio na barriga momentos antes de subir ao palco, e passa a fazer parte da rotina diária, tornando as pessoas demasiadamente preocupadas, inseguras e com baixa autoestima.
Embora seja um sentimento útil – permite que o indivíduo fique atento a um perigo iminente e tome as medidas necessárias para encarar o problema, principalmente nos períodos de impor-tantes mudanças ou quando nos deparamos com experiências inéditas –, a ansiedade costuma fazer muitas vítimas também quando o assunto é emagrecimento.
É muito comum vermos pessoas aderindo a dietas milagrosas ou a tratamentos à base de remédios com o intuito de perderem peso em um curto espaço de tempo. Porém, o psica-nalista e endocrinologista, Wanderley Amorim, faz um alerta a quem utiliza esses tratamentos mais imediatistas.
“Reduzir peso por meio de remédios e/ou regimes alimentares pode ser a saída mais atraente para quem é imediatista. Porém, costuma ser um tiro no pé de quem quer emagrecer e manter o peso a médio e longo prazos. Por não conseguir controlar o peso após o término do tratamento, é comum que a pessoa se depare com um sentimento de frustração. Isso acontece porque a pessoa visa apenas à parte estética, em vez de tratar o foco da obesidade, que pode ter origem nos hábitos alimentares, na falta de atividade física e, claro, em fatores hormonais ou psicológicos”, afirma o especialista.
Segundo Wanderley Amorim, o ideal é que a pessoa faça um tratamento multidisciplinar, que conte com a participação de nutricionistas, psicoterapeutas e professores de Educação Física. “Geralmente, a pessoa que sofre de ansiedade não lida bem com o fator tempo. Por isso, procura os caminhos mais rápidos para resolver os problemas. Só que a única forma de encurtar o caminho neste caso é pulando algumas etapas do tratamento. Ao interromper a medicação ou declinar de uma visita a um especialista, o resultado resume-se em uma palavra: frustração”, acrescenta o endocrinologista.
Para evitar desgostos, o médico sugere métodos de emagrecimento que visem, também, o equilíbrio físico e mental. “A receita mais saudável de emagrecimento é aquela em que o paciente, ao ver os primeiros resultados, passe a dar mais valor ao tratamento, entende o porquê de cada etapa, começa a controlar melhor suas emoções e, de forma progressiva, recupera sua autoestima”, comenta Amorim.
Exercício físico
Além da reeducação alimentar, a atividade física é vista pelo especialista como um fator fundamental na manutenção do peso e da saúde à longo prazo.
“Vejo o exercício físico como um exercício do amor próprio, um marco individual de mudanças e promessas, que, se cultivadas sem ansiedades e tendências imediatistas, levam a longevidade com saúde física e emocional. No entanto, há casos em que a pessoa se identifica tanto com a atividade física que o acompanhamento médico acaba servindo apenas para que ela não desanime e siga firme em seus propósitos”, revela o especialista.
Na opinião da psicóloga clínica, Maria Lúcia Ribeiro, o melhor emagrecimento é aquele que vem de forma natural, acompanhado de saúde, bem-estar e autoconhecimento.
“Aproveite esse processo para se conhecer melhor. Ouça seus pensamentos e preste mais atenção nos sentimentos. Aceite quem você é. Descubra o que há de melhor em você e faça tudo no seu ritmo. Os profissionais podem apontar o caminho, ajudar a definir metas, mas o trabalho, a responsabilidade, e, consequentemente, o comprometimento devem ser de você para com você mesma. E lembre-se: deixe as coisas acontecerem naturalmente na sua vida. Tudo o que é feito de forma natural é mais gostoso, bonito e saudável”, acrescenta a psicóloga.
Mude seus hábitos
O endocrinologista Wanderley Amorim preparou algumas dicas para você começar a combater a ansiedade e emagrecer de forma saudável. Confira:
Primeiro: faça uma lista do que você quer mudar em sua vida.
Depois, vá ao médico. Leve seus últimos exames, fale sobre as dietas que já fez ou está fazendo e conte o que te leva a comer de forma descontrolada.
Pratique exercícios físicos durante 30 minutos, pelo menos três vezes por semana. Isso ajuda a gastar energia e colabora na liberação da serotonina, substância responsável pelo prazer, calma e bem-estar.
Descubra outros prazeres além da comida, como: estar com amigos, passear ou viajar.
Diminua o consumo de bebidas estimulantes, como o chá preto ou o café, pois elas podem deixá-la mais ansiosa durante a dieta.
Procure dormir pelo menos oito horas por dia. As noites mal-dormidas podem gerar ansiedade.
Relaxe o corpo e a mente, fazendo meditação. Assim, você exercita a concentração, busca a paz interior e melhora a autoestima, além de diminuir a agressividade e a ansiedade. Com isso, você terá um bem-estar diário e duradouro.
Fonte CURVES.
Além disso, prometi, e estou cumprindo, melhorar a alimentação, não uma dieta estrita, mais comer de forma saudável e fazer exercícios, o que em uma semana já fez uma grande diferença, tanto nos quilinhos a menos como na energia que ganhei.
Bom ai segue uma nota do blog da Curves do Brasil (eu estou fazendo o mesmo na Argentina), beijos a todos e espero que lhes seja um grande incentivo. Os 40 aninhos não chegam sozinhos...
Trate a ansiedade e Emagreça
O ser humano, no geral, é ansioso por natureza. Vive pensando no que pode dar errado, seja em questões pessoais ou profissionais. O problema maior está quando a ansiedade deixa de ser um sentimento momentâneo, como, por exemplo, um ator de teatro, que sente um frio na barriga momentos antes de subir ao palco, e passa a fazer parte da rotina diária, tornando as pessoas demasiadamente preocupadas, inseguras e com baixa autoestima.
Embora seja um sentimento útil – permite que o indivíduo fique atento a um perigo iminente e tome as medidas necessárias para encarar o problema, principalmente nos períodos de impor-tantes mudanças ou quando nos deparamos com experiências inéditas –, a ansiedade costuma fazer muitas vítimas também quando o assunto é emagrecimento.
É muito comum vermos pessoas aderindo a dietas milagrosas ou a tratamentos à base de remédios com o intuito de perderem peso em um curto espaço de tempo. Porém, o psica-nalista e endocrinologista, Wanderley Amorim, faz um alerta a quem utiliza esses tratamentos mais imediatistas.
“Reduzir peso por meio de remédios e/ou regimes alimentares pode ser a saída mais atraente para quem é imediatista. Porém, costuma ser um tiro no pé de quem quer emagrecer e manter o peso a médio e longo prazos. Por não conseguir controlar o peso após o término do tratamento, é comum que a pessoa se depare com um sentimento de frustração. Isso acontece porque a pessoa visa apenas à parte estética, em vez de tratar o foco da obesidade, que pode ter origem nos hábitos alimentares, na falta de atividade física e, claro, em fatores hormonais ou psicológicos”, afirma o especialista.
Segundo Wanderley Amorim, o ideal é que a pessoa faça um tratamento multidisciplinar, que conte com a participação de nutricionistas, psicoterapeutas e professores de Educação Física. “Geralmente, a pessoa que sofre de ansiedade não lida bem com o fator tempo. Por isso, procura os caminhos mais rápidos para resolver os problemas. Só que a única forma de encurtar o caminho neste caso é pulando algumas etapas do tratamento. Ao interromper a medicação ou declinar de uma visita a um especialista, o resultado resume-se em uma palavra: frustração”, acrescenta o endocrinologista.
Para evitar desgostos, o médico sugere métodos de emagrecimento que visem, também, o equilíbrio físico e mental. “A receita mais saudável de emagrecimento é aquela em que o paciente, ao ver os primeiros resultados, passe a dar mais valor ao tratamento, entende o porquê de cada etapa, começa a controlar melhor suas emoções e, de forma progressiva, recupera sua autoestima”, comenta Amorim.
Exercício físico
Além da reeducação alimentar, a atividade física é vista pelo especialista como um fator fundamental na manutenção do peso e da saúde à longo prazo.
“Vejo o exercício físico como um exercício do amor próprio, um marco individual de mudanças e promessas, que, se cultivadas sem ansiedades e tendências imediatistas, levam a longevidade com saúde física e emocional. No entanto, há casos em que a pessoa se identifica tanto com a atividade física que o acompanhamento médico acaba servindo apenas para que ela não desanime e siga firme em seus propósitos”, revela o especialista.
Na opinião da psicóloga clínica, Maria Lúcia Ribeiro, o melhor emagrecimento é aquele que vem de forma natural, acompanhado de saúde, bem-estar e autoconhecimento.
“Aproveite esse processo para se conhecer melhor. Ouça seus pensamentos e preste mais atenção nos sentimentos. Aceite quem você é. Descubra o que há de melhor em você e faça tudo no seu ritmo. Os profissionais podem apontar o caminho, ajudar a definir metas, mas o trabalho, a responsabilidade, e, consequentemente, o comprometimento devem ser de você para com você mesma. E lembre-se: deixe as coisas acontecerem naturalmente na sua vida. Tudo o que é feito de forma natural é mais gostoso, bonito e saudável”, acrescenta a psicóloga.
Mude seus hábitos
O endocrinologista Wanderley Amorim preparou algumas dicas para você começar a combater a ansiedade e emagrecer de forma saudável. Confira:
Primeiro: faça uma lista do que você quer mudar em sua vida.
Depois, vá ao médico. Leve seus últimos exames, fale sobre as dietas que já fez ou está fazendo e conte o que te leva a comer de forma descontrolada.
Pratique exercícios físicos durante 30 minutos, pelo menos três vezes por semana. Isso ajuda a gastar energia e colabora na liberação da serotonina, substância responsável pelo prazer, calma e bem-estar.
Descubra outros prazeres além da comida, como: estar com amigos, passear ou viajar.
Diminua o consumo de bebidas estimulantes, como o chá preto ou o café, pois elas podem deixá-la mais ansiosa durante a dieta.
Procure dormir pelo menos oito horas por dia. As noites mal-dormidas podem gerar ansiedade.
Relaxe o corpo e a mente, fazendo meditação. Assim, você exercita a concentração, busca a paz interior e melhora a autoestima, além de diminuir a agressividade e a ansiedade. Com isso, você terá um bem-estar diário e duradouro.
Fonte CURVES.
domingo, 15 de janeiro de 2012
Eles vieram para ficar O Rio se transforma em polo de atração para jovens estrangeiros que chegam em busca de bons salários e oportunidades profissionais .
Nova York não é considerada a capital do mundo à toa. A metrópole americana abriga nada menos que 4,6 milhões de estrangeiros — fora os filhos, netos e bisnetos de imigrantes —, ou 21% de todos os moradores de sua aglomeração urbana. Na maior cidade brasileira, São Paulo, a diversidade também é vista como vantagem poderosa, seja do ponto de vista econômico ou do cultural. Para os paulistanos, é motivo de orgulho viver no lugar que concentra a maior comunidade japonesa fora do Japão e que tem uma população de origem italiana que supera a de Roma. No caso do Rio de Janeiro, sempre fomos a principal porta de entrada de turistas internacionais no país. No ano passado, recebemos 1,6 milhão de visitantes do exterior. O normal, no entanto, é essa multidão passar uns dias por aqui, encantar-se com as belezas locais e ir embora. Pois isso está mudando. A expansão econômica, alavancada pelos investimentos gerados pela indústria petrolífera ea organização de eventos como a Copa do Mundo ea Olimpíada, colocaram a capital fluminense no radar de pessoas que buscam oportunidades em um lugar de boas perspectivas. Em apenas quatro anos, entre 2007 e 2010, a quantidade de vistos de trabalho emitida mais que dobrou, passando de 10 088 para 22 371. E esses são os números oficiais. Estima-se que a quantidade de estrangeiros possa ser até três vezes maior. "O Rio é a bola da vez", afirma Rosana Baeninger, coordenadora do Núcleo de Estudos Populacionais da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), centro de referência no assunto.
Movimentos migratórios não costumam ser provocados por uma razão isolada. Decorrem de uma multiplicidade de fatores que, combinados, acabam transformando alguns lugares em polo de atração para quem quer ganhar mais dinheiro ou ter novas experiências. A crise econômica que atinge boa parte do mundo desenvolvido, notadamente Estados Unidos e Europa, mudou a geografia dos deslocamentos e estendeu as rotas para as metrópoles de países emergentes, antes consideradas opções pouco atraentes. Com o real valorizado, os salários pagos por aqui passaram a chamar a atenção de profissionais qualificados dispostos a se arriscar em uma carreira internacional. Por último, mas não menos importante, depois de anos de estagnação, a economia do estado passou a apresentar uma súbita pujança, criando novas necessidades em termos de mão de obra, principalmente nos setores de petróleo, mineração, construção civil, tecnologia e computação. Um estudo realizado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) aponta que 61% das empresas aqui baseadas tentaram aumentar seu quadro de funcionários no primeiro semestre do ano, e mais da metade delas simplesmente não conseguiu encontrar candidatos capacitados para parte das vagas oferecidas. "No curto prazo, a única solução tem sido importar gente", diz Luciana de Sá, diretora da entidade.
Com frequência, a busca por estrangeiros não é apenas uma necessidade ocasional, mas também uma estratégia deliberada. Assim como acontece em outros lugares do mundo, as empresas de alta tecnologia e internet costumam juntar profissionais de vários países, numa política de atração global de talentos, não importa a origem. No Rio, o site de compras compartilhadas Peixe Urbano tem uma pequena ONU instalada em suas dependências, em Laranjeiras. Ali trabalham programadores americanos, canadenses, argentinos, bolivianos, russos, italianos e croatas. O colombiano Miguel Rodriguez, 26 anos, foi um dos primeiros forasteiros a chegar à empresa, logo no início de 2010. Pesou na contratação sua experiência em Bangalore, centro da indústria de alta tecnologia indiana. "A mesma agência que me indicou para a vaga na Índia me ofereceu a oportunidade no Brasil", conta ele. "Eu nunca tinha pensado em morar aqui, mas o país está precisando tanto de gente para programar software que foram me buscar propondo um excelente salário. Não podia dizer "não" para a cidade mais famosa da América do Sul." Entusiasmado e mais do que adaptado, indicou quatro compatriotas para trabalhar na empresa — dois deles já instalados por aqui e os outros a caminho.
Do ponto de vista histórico, o marco que celebra a abertura da cidade e do país para o resto do mundo remonta a 1808. É daquele ano, após a chegada da família real portuguesa, o decreto assinado pelo príncipe regente dom João que autorizava a entrada de navios das chamadas nações amigas nos portos da então colônia. De lá para cá, o Rio eo Brasil se transformaram em grandes receptores de imigrantes. Tal tradição se reflete em uma capacidade de acolhimento que ainda surpreende os recém-chegados, mesmo que eles não entendam absolutamente nada de português. A economista chinesa Cynthia Yuanxiu Zhang, 27 anos, moradora da Barra desde agosto do ano passado, ainda tem um vocabulário bastante precário e, não raro, se vale do inglês para se comunicar fora do trabalho.
Gerente de contas de uma empresa de telecomunicações sediada em Shenzen, ela se diz impressionada com o esforço ea boa vontade dos cariocas para compreendê-la. Entre os cerca de trinta conterrâneos que trabalham na mesma companhia, Cynthia é a que apresenta maior desenvoltura no trato com os brasileiros, tanto que se tornou uma espécie de guia informal dos colegas. "Moramos todos próximos uns dos outros e quase sempre saímos em grupo. Já aconteceu de um de nossos amigos se perder em um shopping e termos de ir buscá-lo com os seguranças, como se fosse uma criança", relata Cynthia. Parte de uma nova geração de chineses que está se globalizando, a economista não tem nada a ver com o estereótipo dos donos de pastelaria. Bem ambientada, ela gosta de frequentar churrascarias, beber caipirinha, ir à praia e passear no Jardim Botânico. Antes aparição exótica, a presença da jovem e de seus compatriotas tem tudo para se firmar por aqui. Nos últimos quatro anos, 2 190 chineses solicitaram visto para trabalhar no Rio, quase todos ligados a multinacionais asiáticas.
A análise das estatísticas de entrada dos trabalhadores estrangeiros (veja o quadro nas págs. 24 e 25) mostra uma nítida inflexão no perfil de quem busca oportunidades na cidade. Se no passado a vasta maioria dos imigrantes era formada por pessoas de baixa qualificação, com forte atuação no comércio e na agricultura, hoje a situação é diferente. À exceção de um contingente de marinheiros vindos das Filipinas, trabalhadores temporários nas plataformas marítimas que praticamente não descem à terra firme, os demais são técnicos e especialistas altamente qualificados que foram contratados por empresas brasileiras ou multinacionais. A indústria do petróleo tem grande impacto nesse perfil, o que justifica a maciça presença de americanos, ingleses, holandeses e noruegueses na lista, quase sempre enviados por grandes firmas do setor sediadas em seus próprios países. Mas há também casos de profissionais liberais em busca de melhores perspectivas. O advogado português Fernando Telles da Silva desembarcou no Galeão pela primeira vez em 2005, em um intercâmbio estudantil. Conheceu a dentista carioca Isabela Pontes e em pouco tempo começaram a namorar. O casal chegou a considerar a possibilidade de se estabelecer em Lisboa, mas, com a crise que se instalou em Portugal, a opção recaiu no lado de cá do Atlântico. "Fizemos uma pesquisa, e seria muito mais fácil eu conseguir emprego aqui do que ela lá", explica Silva, que voltou em definitivo há dois anos. "É nítida a diferença entre a cidade que conheci há quatro anos e a de hoje. Está mais bonita, mais tranquila e mais segura", compara.
Assim como o português Silva, muitos dos neocariocas têm seu primeiro contato com o Rio como estudantes — e decidem fincar raízes depois dessa experiência. É crescente o número de jovens vindos do exterior que buscam cursos de especialização em universidades locais. A PUC, por exemplo, tem 350 estrangeiros em seus cursos de pós-graduação. Na Fundação Getulio Vargas são 54, enquanto no Ibmec 600 forasteiros estão matriculados. Tamanho interesse se justifica pela projeção internacional que o país ganhou nos últimos anos. "Para qualquer pessoa interessada em economia global é fundamental entender como funcionam os Bric. E, entre estudar na Rússia, na China e na Índia, era natural que minha opção fosse pelo Brasil", diz a economista angolana Joyce Domingos, que cursa gestão de negócios no Ibmec.
É óbvio que, por mais fascinante que um lugar escolhido como novo lar possa parecer, existem sempre problemas no processo de adaptação. Nesse sentido, o Rio não passa incólume no crivo rigoroso de seus moradores por adoção. Trânsito caótico, falta de planejamento urbano, serviços precários, burocracia excessiva eo horário de funcionamento de lojas e restaurantes são os alvos mais comuns das críticas. Em alguns casos, sobra até mesmo para a maneira como os cariocas os tratam, normalmente encarada com simpatia pela maioria. "Aqui um estrangeiro ou é visto como turista ou preconceituosamente como 'gringo de Santa Teresa' ", comenta o francês Franck Tuquet, 28 anos, funcionário de uma multinacional especializada em tecnologia de segurança para aeroportos. "As mulheres, por exemplo, sempre esnobam quem é de fora", reclama com exagero. Parisiense que vive em Ipanema há dois anos, ele também se queixa das poucas opções noturnas nos bairros da orla. "É estranho em um lugar que se julga tão cosmopolita tudo fechar tão cedo." Para uma cidade que até poucos anos atrás era conhecida por ser violenta e perigosa, evoluímos bastante no conceito de quem vem de fora. Mas claro que ainda há espaço para melhorar.
Fonte: Veja Rio
Maioria dos brasileiros considera serviço do SUS ruim.
Pesquisa divulgada nesta quinta-feira pela CNI mostra que 85% da população não viu melhorias no SUS nos últimos três anos
REDAÇÃO ÉPOCA
Uma nova pesquisa sobre o sistema público de saúde mostrou que a maior parte da população considera o atendimento do SUS ruim e não viu melhorias no sistema nos últimos anos. Os resultados também mostram que uma maioria esmagadora dos entrevistados acredita que a melhor maneira de destinar recursos para a saúde é acabar com a corrupção.
A pesquisa foi divulgada nesta quinta-feira (12), pelo Ibope, a pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com a pesquisa, 61% da população classifica o serviço de saúde pública do país como "ruim" ou "péssimo". Para 85% dos entrevistados, não houve avanços na saúde pública nos últimos três anos.
Os entrevistados da região Sul do país foram os que melhor avaliaram o sistema público. Já a região Nordeste teve a pior avaliação. Segundo o Ibope, quanto maior a renda do entrevistado, maior a tendência em reprovar o SUS. Para mais da metade dos entrevistados (55%), o principal problema do SUS é a demora no atendimento. Também aparecem na lista problemas como "falta de equipamentos" (10%), "falta de médicos" (9%) e "más condições das unidades de saúde" (5%), entre outros.
Entre os programas de saúde promovidos pelo governo, os mais bem avaliados foram as campanhas de vacinação, o combate á dengue e a fármacia popular.
Imposto para a saúde
A pesquisa mostrou um resultado bem diferente com outro levantamento, feito pelo instituto MCI em outubro de 2011 a pedido de ÉPOCA. De acordo com os resultados do MCI, metade da população aceitaria a criação de um imposto, com a condição de que fosse destinado exclusivamente para a saúde. Já o Ibope encontrou um número bem menor de pessoas que aceitariam a criação de imposto: apenas 4%.
O principal motivo da grande diferença entre os números é a forma como foi feita a pergunta. Enquanto a pesquisa do MCI perguntou se o entrevistado era a favor ou contra um imposto para saúde (51% a favor), a pesquisa do Ibope divulgada hoje perguntou "O que os governos devem fazer para investir na saúde?".
Para a maioria dos entrevistados, "Acabar com a corrupção" é a principal medida para gerar recursos para a saúde, sendo escolhida por 82% dos entrevistados. Também foram escolhidas medidas de gestão, como "reduzir desperdícios" (53%) e "transferir recursos de outras áreas" (18%). A soma dos percentuais supera 100% porque os entrevistados puderam escolher mais de uma alternativa.
A criação de um novo imposto para a saúde é defendida pelo governo, mas enfrenta forte resistência da oposição. No ano passado, durante a votação da Emenda 29, o governo não conseguiu aprovar a Contribuição Social para a Saúde (CSS), imposto similar à CPMF que seria destinado à saúde. Estima-se que o SUS precisaria aumentar os recursos em R$ 80 bilhões por ano para conseguir sustentar um sistema de saúde público e universal.
REDAÇÃO ÉPOCA
Uma nova pesquisa sobre o sistema público de saúde mostrou que a maior parte da população considera o atendimento do SUS ruim e não viu melhorias no sistema nos últimos anos. Os resultados também mostram que uma maioria esmagadora dos entrevistados acredita que a melhor maneira de destinar recursos para a saúde é acabar com a corrupção.
A pesquisa foi divulgada nesta quinta-feira (12), pelo Ibope, a pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com a pesquisa, 61% da população classifica o serviço de saúde pública do país como "ruim" ou "péssimo". Para 85% dos entrevistados, não houve avanços na saúde pública nos últimos três anos.
Os entrevistados da região Sul do país foram os que melhor avaliaram o sistema público. Já a região Nordeste teve a pior avaliação. Segundo o Ibope, quanto maior a renda do entrevistado, maior a tendência em reprovar o SUS. Para mais da metade dos entrevistados (55%), o principal problema do SUS é a demora no atendimento. Também aparecem na lista problemas como "falta de equipamentos" (10%), "falta de médicos" (9%) e "más condições das unidades de saúde" (5%), entre outros.
Entre os programas de saúde promovidos pelo governo, os mais bem avaliados foram as campanhas de vacinação, o combate á dengue e a fármacia popular.
Imposto para a saúde
A pesquisa mostrou um resultado bem diferente com outro levantamento, feito pelo instituto MCI em outubro de 2011 a pedido de ÉPOCA. De acordo com os resultados do MCI, metade da população aceitaria a criação de um imposto, com a condição de que fosse destinado exclusivamente para a saúde. Já o Ibope encontrou um número bem menor de pessoas que aceitariam a criação de imposto: apenas 4%.
O principal motivo da grande diferença entre os números é a forma como foi feita a pergunta. Enquanto a pesquisa do MCI perguntou se o entrevistado era a favor ou contra um imposto para saúde (51% a favor), a pesquisa do Ibope divulgada hoje perguntou "O que os governos devem fazer para investir na saúde?".
Para a maioria dos entrevistados, "Acabar com a corrupção" é a principal medida para gerar recursos para a saúde, sendo escolhida por 82% dos entrevistados. Também foram escolhidas medidas de gestão, como "reduzir desperdícios" (53%) e "transferir recursos de outras áreas" (18%). A soma dos percentuais supera 100% porque os entrevistados puderam escolher mais de uma alternativa.
A criação de um novo imposto para a saúde é defendida pelo governo, mas enfrenta forte resistência da oposição. No ano passado, durante a votação da Emenda 29, o governo não conseguiu aprovar a Contribuição Social para a Saúde (CSS), imposto similar à CPMF que seria destinado à saúde. Estima-se que o SUS precisaria aumentar os recursos em R$ 80 bilhões por ano para conseguir sustentar um sistema de saúde público e universal.
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